Brumadinho

Diálogo entre Vale e atingidos é marcado por tensão; número de mortes chega a 165

Ministério Público de Minas Gerais intimou a mineradora a realizar depósito judicial de R$ 7,431 bilhões

São Paulo | Brasil de Fato

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Familiares do lado de fora da Igreja Matriz de Brumadinho durante missa em homenagem aos desaparecidos e vítimas do crime da Vale / Mauro Pimentel | AFP

Em assembleia realizada na quarta-feira (6), no Parque da Cachoeira, Brumadinho, a Vale negou pedidos de auxílio das mais de 400 vítimas presentes. A demanda coletiva, apresentada pelos atingidos na ocasião, pedia compensação por dívidas decorrentes de financiamentos das plantações destruídas pela lama e o pagamento de “salários” mensais (que variam de acordo com a idade) para cada membro das famílias atingidas. 

Na semana anterior, o diretor financeiro da Vale anunciou que a companhia faria doações para os atingidos pelo crime: R$ 100 mil para representantes das vítimas mortas ou desaparecidas, R$ 50 mil para pessoas desabrigadas pela lama e R$ 15 mil para quem desenvolvia atividades produtivas na zona de autossalvamento.

Segundo o mais recente boletim da Defesa Civil de Minas Gerais, emitido na manhã desta segunda (11), já são 165 óbitos decorrentes do crime da Vale em Brumadinho. Outras 158 pessoas seguem desaparecidas, sete corpos ainda não foram identificados e 139 moradores da região estão desabrigados.

Conforme pedido do Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG), já foram bloqueados R$ 11 bilhões em bens da mineradora. Nesta sexta-feira (8), a Vale foi intimada pelo MPMG a realizar depósito de R$ 7,431 bi desse montante, como forma de garantir que haverá compensação às vítimas. Paralelamente, o IBAMA e o governo de Minas gerais aplicaram multas à companhia no valor total de R$ 250 milhões.

Segundo reportagem da ISTOÉ, o MPMG já teria pronto um pedido de prisão contra o presidente da Vale, Fabio Schvartsman, e diretores da empresa.

Mais riscos

Moradores das cidades de Itatiaiuçu e Barão de Cocais foram evacuados às pressas de suas residências por risco de novos rompimentos em barragens da Vale e ArcelorMittal na sexta-feira (8). No total, cerca de 580 pessoas foram afetadas pelos evacuamentos e agora permanecem em hotéis ou em casas de parentes. Na cidade de Congonhas, a 80 km de Belo Horizonte, os moradores temem o rompimento da barragem da Casa de Pedra, classificada como de altíssimo risco pela Agência Nacional de Águas. Ao mesmo tempo, exigem que Companhia Siderúrgica Nacional - empresa responsável pelo projeto - “seque” os rejeitos, realoque as famílias e pague compensação pelo período em que permanecerem fora de suas casas. 

Até o fechamento desta reportagem, a Vale não informou quantos indivíduos e famílias haviam recebido as doações. Como mostrou reportagem do site El País, alguns atingidos têm se negado a receber a “doação" oferecida pela empresa, por terem como demanda principal informações sobre o paradeiro dos familiares.

Edição: Mauro Ramos