Transporte

Com novo aumento, ônibus de Curitiba será o mais caro do Brasil entre capitais

Diminuição de passageiros vira justificativa de empresários para aumentar mais ainda

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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O prefeito Rafael Greca anunciou, em dezembro, que o aumento em 2019 será “inevitável”. / Divulgação

Entre as capitais do país, Curitiba estava em 2018 em segundo no ranking das tarifas mais caras, “perdendo” apenas para Porto Alegre, que cobrava R$ 4,30. Mas tudo indica que o primeiro lugar nesse campeonato fique com Curitiba em breve, já que o prefeito Rafael Greca anunciou, em dezembro, que o aumento em 2019 será “inevitável”. Atualmente, a tarifa é de R$ 4,25, mas deve passar para R$ 4,50 a partir de março. 

Representantes do Fórum Popular do Transporte Público de Curitiba dizem que o aumento poderia ser evitado se o prefeito não se submetesse aos empresários. André Machado, do fórum, destaca que, além do lucro, os empresários do transporte coletivo querem manter a licitação feita em 2010. 

“Essa licitação foi denunciada antes, durante e depois por nós. E foi alvo de ação do Ministério Público, com prisões de muita gente envolvida nas fraudes cometidas. Foi escrita a quatro mãos por prefeitura e empresários.” André explica que “o contrato feito após a licitação traz coisas como remuneração aos empresários. Quanto mais caro for, mais as empresas recebem. E quem tem controle sobre a planilha real de custos são os próprios empresários”.

Para Lafaiete Neves, professor aposentado da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e especialista em transporte coletivo, “o que temos hoje é uma planilha de custos que vem lá dos anos 1980, com parâmetros inflacionados. Outro grande problema é que a URBS não tem controle dessa planilha.”

Diminuição de passageiros

Segundo informações do Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana, Setransp, o número de usuários do transporte coletivo caiu 1,61% em 2018, comparado ao ano anterior. “Existe uma queda de usuários, que têm deixado de usar o ônibus por ser caro, inclusive migrando para Uber e táxi. Com a fuga de passageiros, obriga-se, na lógica dos empresários, a aumentar a tarifa, como deve ocorrer agora, diz Lafaiete. “Com aumento, menos passageiros usarão e teremos um colapso no transporte da cidade”, complementa André. 

A diminuição da tarifa é possível, segundo posicionamento do fórum, se o prefeito não se submeter à lógica de lucro dos empresários, denunciar contratos e fizer uma repactuação para alterar os parâmetros inflados. Mas essa não parece a lógica por trás das ações do prefeito. “Uma das primeiras medidas de Rafael Greca foi anistiar multas milionárias dos empresários do transporte coletivo”, complementa André. 

                                                                 

Edição: Laís Melo