Brumadinho

Mortes não são tragédias, são crimes

País assiste a acidentes que poderiam ser evitadas com respeito a leis e medidas de segurança

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Tragédia em Brumadinho espalhou cerca de 12 milhões de metros cúbicos de lama tóxica / Douglas Magno / AFP

A tragédia de Brumadinho (MG) tinha 165 corpos confirmados nesta semana, podendo passar de 300 mortos. No Ninho do Urubu, centro de treinamentos do Flamengo, dez garotos entre 14 e 16 anos perderam suas vidas. Em comum, nos dois casos, a constatação de que se leis e medidas de segurança tivessem sido respeitadas, vidas poderiam ser salvas.  

No caso da Brumadinho, a Companhia Vale do Rio Doce fez o tipo de barragem mais barata para rejeitos de minério, construiu refeitório e centro administrativo abaixo dessa barragem e instalou sirenes de alarme que não funcionaram. 

Difícil falar em acidente quando estudo da própria mineradora, de outubro de 2018, estima que com um possível rompimento da barragem morreriam mais de cem pessoas e os custos poderiam chegar a 1,5 bilhão de dólares. E as causas prováveis de colapso seriam erosão interna ou liquefação. Inspeções já tinham encontrado indícios de erosão e alagamento. Mas nada foi feito. 

Segundo a Folha de S.Paulo, esse documento está sendo usado pelo Ministério Público de Minas Gerais em ação civil pública em que pede a adoção de medidas imediatas para evitar novos desastres, já que dez barragens estariam em situação de risco. 

Em nota, a Central Única dos Trabalhadores, CUT, afirma que a Vale do Rio Doce é responsável por um desastre criminoso em Minas Gerais. “Não foi uma tragédia. Poderia ter sido evitada com manutenção, investimentos em itens de segurança e fiscalização. Foi um crime.” 

Já no caso do Flamengo, o dormitório das divisões de base funcionava sem alvará da prefeitura e, principalmente, sem autorização do Corpo de Bombeiros, porque faltavam itens de segurança e um plano contra incêndios. O clube havia sido notificado 31 vezes por irregularidades antes da tragédia, mas também nada foi feito. 

Edição: Laís Melo