Solidariedade

Vice-presidenta da Venezuela: "Se nos agredirem, os povos do mundo se levantarão"

Delcy Rodríguez participou da abertura da Assembleia Internacional dos Povos, na capital Caracas

Brasil de Fato | Caracas (Venezuela)

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Delcy Rodríguez, vice-presidenta venezuelana, em Caracas / Foto: José Eduardo Bernardes

A vice-presidenta da Venezuela, Delcy Rodríguez, participou neste domingo (24) da abertura oficial da Assembleia Internacional dos Povos, realizada na capital Caracas. O pronunciamento dela foi uma revisão histórica da relação entre os Estados Unidos e a Venezuela desde a chegada de Hugo Chávez ao poder, nos anos 90. 

:: O que está acontecendo na Venezuela? ::

“Desde que Hugo Chávez chegou ao poder, em 1998, o imperialismo estadunidense traçou uma estratégia de ofensiva contrarrevolucionária. O que hoje nós estamos vivendo não foi gerado de forma espontânea: foi trabalhado, foi cozinhado. Em 2012, quando eles pensavam que matando o presidente Hugo Chávez a Revolução Bolivariana morreria, o povo venezuelano se levantou diante da dor e disse: aqui segue a revolução bolivariana. Com a nossa dor, com a ausência do nosso líder Hugo Chávez, seguiremos em combate”, prometeu.

Rodríguez lembrou que a estratégia de asfixia econômica ao país começou a ser gestada na Casa Branca ainda na gestão de Barack Obama. 

“No dia 9 de março de 2015, Obama lançou um decreto estabelecendo que a Venezuela era uma ameaça à segurança dos Estados Unidos, e uma ameaça a sua política exterior. Sabíamos do perigo que isso significava. Esse decreto do Obama caiu nas mãos do supremacismo branco que hoje governa a Casa Branca”, disse, em referência a Donald Trump. 

"Cartel de Lima"

A vice-presidenta condenou a ação do governo Donald Trump e seus aliados para boicotar a Venezuela economicamente e justificar uma intervenção no país. Segundo Rodríguez, que já desempenhou o cargo de Ministra das Relações Exteriores de Nicolás Maduro, o chamado “Grupo de Lima” nada mais é que uma união de governos alinhados aos EUA, dispostos a praticar golpes em países não alinhados.

“Em uma assembleia geral da OEA [Organização dos Estados Americanos], onde estávamos os chanceleres, Luis Almagro [secretário-geral da OEA] pretendeu aprovar uma resolução contra a nossa pátria, mas o derrotamos. E foi então que o grupo de governos que saíram derrotados foi para um corredor, articular uma declaração, um comunicado. E aí nasceu o ‘cartel de Lima’. O ‘cartel de Lima’ nasceu de um fracasso, e assim seguirá: perpetuando o fracasso em cada uma de suas agressões contra a Venezuela”, afirmou, sob aplausos. 

Delcy Rodríguez ao lado de João Pedro Stedile, durante o ato de abertura da Assembleia Internacional dos Povos, em Caracas. (Foto: José Eduardo Bernardes)

Segundo Rodríguez, o real interesse dos Estados Unidos e seus aliados é o petróleo venezuelano. A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo e é o segundo maior produtor. A vice-presidenta analisou a tentativa frustrada desses governos de ingressar com uma suposta ajuda humanitária ao país:  “Não sabem que nós estamos prontos. Essa revolução foi erguida sobre a luta social dos indígenas, dos camponeses, dos trabalhadores. Não sabem do que estão falando. E por isso foram todos os palhaços à fronteira no dia de ontem fazer aquele 'espetáculo'”.

Sobre a autoproclamação do deputado Juan Guaidó como presidente interino do país, a vice-presidenta ironizou: “Onde já se viu que um deputado qualquer vá a uma praça pública e se autoproclame presidente de um país. Imaginemos um deputado que saia a dizer que é o rei da Inglaterra, ou o rei da Espanha”, comparou.

“Além de cômico, é perigoso. Agora, por exemplo, quer aprovar uma lei para viabilizar a intervenção na Venezuela”, alertou, em seguida. “Mas, caso se atrevam a colocar um dedo sobre a Venezuela, os povos do continente e do mundo vão se levantar para dizer: 'Fora, imperialismo'. Se isso acontecer, faremos da vida deles difícil”, concluiu.

A Assembleia Internacional dos Povos acontece em Caracas, Venezuela, entre os dias 24 e 27 de fevereiro, e reúne mais de 400 representantes de movimentos e organizações populares de 85 países. 

*Com colaboração do coletivo de comunicação da Assembleia Internacional dos Povos

Edição: Daniel Giovanaz