Debate

Mulheres e trabalhadores rurais estão entre os que mais perdem na aposentadoria

Plenária em Curitiba articula frente unitária contra aprovação da reforma

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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No caso dos trabalhadores rurais, em lugar de ter de provar 15 anos de atividade rural, terão de contribuir por 20 anos / Divulgação

Representantes de movimentos sociais, sindicatos e partidos políticos participaram de plenária, no sábado (23), para articular uma frente ampla para combater a reforma da previdência. Nas exposições que ocorreram, foi destacado que todos os trabalhadores perdem com a reforma, mas ela é mais cruel com as mulheres, os trabalhadores rurais e os professores.

O advogado e consultor Ludimar Rafanhim explicou que as mulheres têm aumentada a idade mínima para 62 anos, sem possibilidade de aposentadoria por tempo de contribuição. E, como os outros trabalhadores, só terá direito a receber a aposentadoria na íntegra de sua média depois de 40 anos de contribuição. No caso dos trabalhadores rurais, em lugar de ter de provar 15 anos de atividade rural, terão de contribuir por 20 anos, com no mínimo R$600 por ano. Para os professores, com as novas regras, praticamente acaba a aposentadoria especial a que tinham direito.

“É a demolição de nosso sistema de previdência, de pacto de solidariedade entre gerações, para um modelo de capitalização”, diz Ludimar. Enfatizando que no modelo que o governo Bolsonaro quer implantar para quem entrar depois da reforma no sistema, seria garantida aposentadoria até um salário mínimo, e para receber mais seria obrigatório entrar num sistema de capitalização, com conta individual num banco privado.

Frente ampla

A plenária reuniu várias centrais sindicais, partidos políticos e movimentos sociais e a ideia destacada por diversos participantes é articular uma frente ampla, num comitê contra a reforma da previdência. Serão feitas também plenárias mensais e criados comitês em diversas cidades-polo do Paraná. “Vamos fazer um comitê amplo contra a reforma da previdência. E a partir dessas plenárias articular mobilizações unitárias na proteção de nossos direitos”, diz Roberto Baggio, da coordenação do Movimento do Trabalhadores sem terra, MST.

Edição: Laís Melo