Resistência

Maduro: "EUA têm mais de 5 mil crianças imigrantes presas. Quem as defende?"

Presidente da Venezuela participou de um ato durante a Assembleia Internacional dos Povos em Caracas

Brasil de Fato | Caracas (Venezuela)

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Maduro levanta uma bandeira com as inscrições "Lula Preso Político" junto ao dirigente do MST, João Pedro Stedile, durante ato na AIP / Jhonn Zerpa | Presidencia de Venezuela | AFP

O presidente constitucional da Venezuela, Nicolás Maduro, participou de um ato com os 500 representantes de 87 países que participam da Assembleia Internacional dos Povos (AIP), realizada em Caracas desde o último domingo (24) até a quarta-feira (27) na capital venezuelana. 

Em seu discurso, Maduro saudou a presença dos representantes internacionais no país, no momento em que o assédio internacional por parte de potências econômicas à Venezuela se intensifica. 

“Depois de tantas lutas nos povos irmãos do mundo, vocês estão em Caracas dizendo: 'aqui estamos de pé, aqui estamos em luta, aqui estamos em solidariedade'. Obrigado por sua solidariedade, obrigado por seu amor, obrigado por sua perseverança”.

O presidente venezuelano afirmou que a disputa política em seu país tem reflexos em todo o mundo, destacando assim a pertinência da criação da Assembleia Internacional dos Povos. “A batalha pela Venezuela não é só por nós. É uma batalha pelo direito à independência, à paz, à diversidade mundial, à diversidade política, ideológica, cultural”. 

Maduro condenou a política externa do governo dos Estados Unidos e sugeriu que o presidente Donald Trump se ocupe dos problemas internos do seu país. 

“Nos Estados Unidos há mais de cinco mil crianças em prisões por serem filhos de imigrantes, separados de suas famílias. Presos de maneira criminosa e injusta. Mais de cinco mil crianças! E quem defende essas cinco mil crianças?”, disse Maduro, em referência às milhares de crianças que foram separadas de seus pais imigrantes pelo governo Trump.

O mandatário venezuelano criticou ainda a postura do governo colombiano, presidido por Iván Duque, ao ceder o território colombiano para “uma agressão à Venezuela”, no último sábado, quando governos da região tentaram forçar a entrada de uma suposta “ajuda humanitária” ao país, ação que terminou frustrada. 

“No sábado, 23 de fevereiro, a Venezuela sofreu uma agressão por parte do governo colombiano nas pontes fronteiriças do estado de Táchira. Uma agressão violatória do direito internacional, violatória dos convênios de integração binacionais, violatória do espírito de convivência e irmandade do povo da Colômbia e do povo da Venezuela”. 

"Não se é livre, não se é revolucionário, não se é independente impunemente. É preciso pagar o custo da valentia, da rebeldia e da coragem. E nós estamos pagando”. “Eles sabem que aqui há coragem, rebeldia, que estamos enfrentados ao imperialismo norte-americano e que não temos medo deles. Vamos seguir avançando na construção do nosso próprio modelo de país”, concluiu Maduro.  

Durante o ato, os representantes de movimentos populares entregaram ao presidente Nicolás Maduro uma carta na qual declaram solidariedade ao povo e ao governo da Venezuela e defende o cesse imediato do assédio internacional contra o país. A Assembleia Internacional dos povos é uma articulação de movimentos sociais, organizações e partidos políticos de mais de 130 países de todo o mundo. 

*Com colaboração do coletivo de comunicação da AIP

Edição: Mauro Ramos