Transporte

Em Curitiba, movimentos sociais foram às ruas contra aumento da tarifa

O congelamento da tarifa e o cancelamento dos contratos são algumas das reivindicações

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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O passe livre e um modelo de transporte que seja realmente público foram  reivindicações feitas pelos estudantes presentes no ato.  / Ana Carolina Caldas

A partir da próxima quinta-feira, 28, a passagem de ônibus em Curitiba ficará mais cara.  O anúncio do reajuste para R$4,50 foi feito na semana passada pelo Prefeito Rafael Greca, após encontro com o Governador Ratinho Jr.  O acordo firmado entre eles definiu um montante de 200 milhões em subsídios públicos para garantir o pagamento da tarifa técnica, o repasse aos empresários do transporte coletivo.

Em protesto contra o aumento da tarifa e o repasse milionário aos empresários, movimentos sociais, estudantes e apoiadores realizaram nesta terça, 26, uma manifestação na Praça Rui Barbosa, centro da cidade. Entre as várias reivindicações feitas, o movimento pede o congelamento da tarifa e pretendem solicitar ao Ministério Público do Paraná o cancelamento do atual contrato.

O que o movimento reivindica

Lafaiete Neves, professor de Economia da UFPR e membro da Plenária Popular do Transporte, explica que “o movimento está pedindo o congelamento da tarifa, não à demissão dos cobradores, que se abra a planilha de custos que só os empresários têm acesso e que seja reativado o Conselho Municipal do Transporte”. Para ele, “não é possível aprovar aumento da tarifa sem passar pelo Conselho que não funciona há dois anos”.

200 milhões para os empresários

Atualmente o valor pago da tarifa técnica (aquela que representa o repasse do Poder Público aos empresários) é de R$4,79, sendo parte subsidiada pelo governo estadual – resultando nos R$4,25 pagos na catraca. Com o aumento, a tarifa técnica vai para quase R$5,00, informado pelo próprio Prefeito.  Dos 200 milhões de subsídio para garantir o pagamento da tarifa técnica, 150 virão do Governo do estado e 50 milhões sairão da Prefeitura de Curitiba.

Presente no protesto, a Vereadora Professora Josete (PT) disse que irá pedir explicações do Secretário de Finanças de Curitiba sobre os milhões que serão repassados. “ Vou pedir que eles mostrem da onde sairá este valor, já que não estava previsto no orçamento”, disse.

“Os milhões a serem repassados poderiam e deveriam ir para áreas do orçamento público como saúde, educação e segurança”, defendeu André Castelo Branco Machado, membro da Plenária Popular do Transporte.

Entenda:  



  • Tarifa técnica representa o valor real por passageiro pago às empresas de ônibus  





  • Em janeiro de 2017, o prefeito Rafael Greca repassava R3,66 aos empresários e em fevereiro de 2019, o valor é de R$4,79. O aumento é de cerca de 30%. 




  • Resumindo: aumenta passagem para pagar mais aos empresários. 



Contrato fraudulento

O Deputado estadual Goura (PDT) lembrou que o atual contrato com as empresas de ônibus vem sendo questionado desde 2010. “Sua legitimidade foi questionada pelo Tribunal de Contas em 2010, pela CPI do Transporte na Câmara Municipal de Curitiba, em 2013, e pelo Ministério Público no ano passado, que pediu que o contrato fosse anulado e feito um novo processo licitatório em Curitiba”.

Em agosto de 2018, o MP-PR apurou a partir da Operação Riquixá, que diferentes empresas do mesmo grupo familiar fraudaram licitações, entre elas, a de Curitiba, combinando preços e divisões de lotes de concessões de transporte público, com o intuito de manter o domínio da execução da atividade na capital paranaense.

Estudantes defendem direito de ir e vir e transporte público de verdade

O passe livre e um modelo de transporte que seja realmente público foram  reivindicações feitas pelos estudantes presentes no ato. Mandi Coelho, estudante da UFPR e integrante do Movimento Rebeldia, diz que a luta dos estudantes é pelo passe livre e por um outro modelo de transporte. “Deve ser um modelo estatal, controlado pelos usuários do transporte coletivo e dos trabalhadores do sistema de transporte”, defende.  Para ela, “o aumento dificulta que o jovem estude e que ocupe a cidade. Me parece que é isso que os gestores, que sequer andam de ônibus, desejam” . 

Edição: Laís Melo