Entrevista

"Modelo predatório", denuncia militante do MAB no Dia de Luta contra as Barragens

Movimentos populares fazem jornada de lutas em todo o país para questionar o atual modelo de exploração mineral

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Dia Internacional de Luta Contra Barragens, pelos Rios, pela Água e pela Vida reacende debate sobre impactos da mineração / Joyce Fonseca/MST

Há mais de duas décadas, populações atingidas por projetos hidrelétricos e de exploração mineral celebram em 14 de março o Dia Internacional de Luta Contra Barragens, pelos Rios, pela Água e pela Vida. A data foi definida em 1997, quando o Brasil sediou o 1º Encontro Internacional dos Atingidos por Barragens. Desde então, por todo o mundo, populações atingidas por usinas e depósitos de rejeitos denunciam os crimes sociais, econômicos, culturais e ambientais decorrentes desses empreendimentos.

Este ano, a jornada é marcada pelas repercussões do crime socioambiental de Brumadinho (MG): em 25 de janeiro, uma barragem da Vale se rompeu e vitimou mais de 300 pessoas.

“O dia de hoje nos estimula a pensar isso. Que políticas, que planos de segurança a gente precisa construir na sociedade brasileira, especialmente para as pessoas que moram próximo a esses espaços? Então, esses planos precisam ter a participação dos atingidos. São milhares de obras de barragens de mineração, rejeitos e acumulação de água que foram construídas, e não se tem informações conhecidas sobre a segurança dessas obras”, protesta Daiane Hohn, militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

O assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), que completa um ano, também está na pauta do dia. Na madrugada desta quinta-feira (14), movimentos populares ocuparam uma ferrovia da Vale por justiça a Brumadinho e Marielle em Sarzedo (MG), e foram reprimidos pela Polícia Militar.

“Infelizmente, esse cenário revoltante se estende também a outras lutadoras do povo como a líder comunitária hondurenha Berta Cárceres, que lutava contra a construção de uma barragem em território indígena e foi assassinada por sua liderança em defesa das comunidades atingidas; e Nilce de Souza Magalhães, a nossa Nicinha, brutalmente assassinada em Rondônia, na região da hidrelétrica de Jirau. Nossa jornada de luta é pelo direito à vida”, afirma nota oficial do MAB.

Para Hohn, fazer pressão é uma busca incessante dos atingidos por barragens. “O modelo aplicado hoje visa ao lucro, não reconhece as famílias [atingidas], não cuida do meio ambiente, não está preocupado com a segurança das pessoas. É um modelo predatório, que tira [os minérios], explora, e fica com os dividendos”, conclui. 

 

Edição: Pedro Ribeiro Nogueira