VIOLÊNCIA

Artigo | Mais armas, mais mortes

No Brasil, os homens compram oito vezes mais armas que que as mulheres

Brasil de Fato | Recife (PE)

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As mulheres mais da metade(59%) das vítimas de reincidência de agressão com arma de fogo / EBC

Na onda conservadora que se instaura no país, fruto da crise política, econômica e social, fica nítido alguns fenômenos e tendências políticas. Uma das pautas políticas na campanha presidencial de 2018 do então candidato Jair Bolsonaro, eram mudanças no Estatuto de Desarmando em vigor desde 2003, cumprindo sua promessa, no dia 15 de janeiro de 2019 ele assina um decreto que facilita a posse de armas de fogo, amplia o prazo de renovação de testes psicológicos de três para dez anos. Nas declarações públicas feitas pelo presidente da República ele afirma que a posse de arma é para garantir o direito à legítima defesa do “cidadão de bem”. 

Desde que o Estatuto de Desarmamento entrou em vigor 2003 alguns estudos foram realizados, afim de medir o impacto do processo de desarmamento. Encontramos dois desses estudos realizados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), dos quais vamos apresentar alguns resultados que mais nos chamou atenção. Um dos resultados é a comprovação da diminuição do número de homicídio; a diminuição na circulação do número de armas, o Estatuto pode ter poupado 121 mil vidas entre 2004 e 2012; e a escala no número de homicídio que desde da década de 1980 não caia, entre 1995 e 2003 a taxa de homicídio cresceu 21,4%, e entre 2003 a 2012 a mesma taxa cresceu 0,3%. 

Outro dado importante para a análise, o estudo traçou um perfil das pessoas que mais compram armas no país, os homens compram oito vezes mais armas que que as mulheres. Ao levarmos em conta que o  Brasil é o 5º país no ranking mundial que mais mata mulheres (OMS); as mulheres são as maiores vítimas de agressão por armas de fogo cometidas por uma pessoa próxima ou conhecida; são elas também, mais da metade das vítimas de reincidência de agressão com arma de fogo (59%) (SINAN); 40 % das mortes de mulheres em casa foram com armas de fogo; são as nossas casas os lugares onde por excelência somos vitimadas; de janeiro de 2019 até o início do mês de março 41 mulheres foram assassinadas com armas de fogo no Brasil.

Ficam algumas perguntas, qual “cidadão do bem” será beneficiado pela regularização e flexibilização da posse de armas no Brasil? Quantas de nós vamos morrer a mais por dia, quando a posse e o porte de arma de fogo forem flexibilizados da forma que o novo governo está propondo? 

Quanto mais armas em circulação e na mão de “cidadão do bem”, maior a chance de sermos mortas.

 

Edição: Monyse Ravenna