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Para não esquecer: cinco livros sobre o horror da ditadura militar brasileira

Mais de 5 mil pessoas foram exiladas e 434 foram assassinadas, segundo a Comissão Nacional da Verdade (CNV)

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Frei Betto, autor de "Batismo de Sangue" / Agência de Notícias do Acre

Jair Bolsonaro (PSL) é o primeiro presidente brasileiro, desde a redemocratização, a sugerir “comemorações” no aniversário do golpe militar. Além do aumento da letalidade da polícia, que cresceu progressivamente durante o período de 1964 a 1985, os anos chumbo continuam a reverberar na história, na política e na economia brasileiras de diferentes formas.

O modelo predatório de construção de barragens, que resultou nos crimes socioambientais de Mariana (MG) e Brumadinho (MG), por exemplo, foi adotado naquela época e continua vigente.

Assim como os cineastas mantiveram viva a memória da resistência e da violência durante a ditadura militar, na literatura não é diferente. Conheça cinco livros, teóricos e ficcionais, que abordam o tema e ajudam a compreender o contexto que levou 5 mil pessoas a serem exiladas e resultou na morte de mais de 5 mil opositores, segundo dados da Comissão Nacional da Verdade (CNV).

O Governo João Goulart - As lutas sociais no Brasil, de Luiz Alberto Moniz Bandeira

A obra do cientista político Moniz Bandeira, editada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), traça um panorama político-econômico nacional pré-golpe, enquanto João Goulart era presidente. Além de documentos, Bandeira recorre a depoimentos de diferentes personagens para traçar o cenário que culminou no regime ditatorial iniciado há 55 anos.

Série Ditadura, de Elio Gaspari

Após uma extensa pesquisa e acesso a documentos inéditos, o jornalista Elio Gaspari estruturou a Série Ditadura, lançada pela Editora Intrínseca. Com um texto fluido e de fácil compreensão, os cinco volumes trazem desde notas manuscritas até áudios inéditos e relatórios governamentais, que contam a organização do golpe de Estado e os motivos que levaram à radicalização do regime e sua abertura.

Além da biografia dos generais Ernesto Geisel e Golbery do Couto e Silva, um dos volumes também apresenta parte da trajetória de Lula (PT), que teve início naquele período.

K: Relato de uma busca, de Bernardo Kucinski

Publicado em 2011 pela editora Expressão Popular, o romance escrito pelo jornalista e cientista político Bernardo Kucinski conta a história de sua irmã, quando ela e o marido são detidos por militares e se tornam vítimas de desaparecimento forçado.

O livro narra a dificuldade de familiares em romper com o silêncio em um período em que os militares se recusavam a fornecer informações sobre o paradeiro dos presos políticos.

Batismo de Sangue - Guerrilha e morte de Carlos Marighella, de Frei Betto

O livro aponta para a tese de que o assassinato de Carlos Marighella, guerrilheiro negro, líder da Ação Libertadora Nacional (ALN), teria sido planejado para eliminar o inimigo número um do regime e enfraquecer a resistência. A ideia, segundo Frei Betto, era criar um cenário de desconfiança entre a esquerda brasileira e os frades dominicanos.

Os religiosos eram descritos pelos militares como traidores que teriam supostamente entregue a localização de Marighella. A obra é considerada uma referência nos debates sobre a relação entre fé cristã e ação política revolucionária.

Cabo de Guerra, de Ivone Benedetti

Finalista do Prêmio São Paulo, o romance de Ivone Benedetti reflete sobre a repressão institucionalizada durante o regime, que atingia os brasileiros de distintas maneiras.

Por meio de um personagem militante, que se torna um infiltrado para os militares, a autora traça uma perspectiva subjetiva sobre o golpe e estimula a reflexão acerca do poder de decisão pessoal naquele período.

Edição: Daniel Giovanaz