Luta

Partido Socialista Revolucionário dos Trabalhadores é lançado na África do Sul

Mais de mil militantes se reuniram em Joanesburgo no congresso de lançamento da sigla

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Delegados no congresso de lançamento do Partido Revolucionário Socialista dos Trabalhadores da África do Sul
Delegados no congresso de lançamento do Partido Revolucionário Socialista dos Trabalhadores da África do Sul - Foto: Rafael Stedile

“Igualdade, trabalho e terra” é o lema do novo partido político radical da África do Sul que busca revolucionar a política do país e concorrer às eleições que acontecerão em maio. O congresso de lançamento do Partido Socialista Revolucionário dos Trabalhadores (SRWP) foi realizado entre 4 e 6 de abril em Joanesburgo, com participação de mais de mil militantes e quadros de diversas províncias de todo o país, assim como convidados internacionais de países como Zâmbia, Argentina, Brasil, Suécia, Marrocos e Nepal.

O congresso foi dedicado a Mapeto Baldwin Langa, o Fieldmore, membro do Sindicato Nacional dos Metalúrgicos da África do Sul (Numsa) morto em agosto de 2018. Fieldmore era militante comunista e internacionalista histórico. Aos 17 anos, entrou para o Lança da Nação (uMkhonto weSizwe), braço armado do Congresso Nacional Africano durante a luta contra o apartheid. Forçado ao exílio, voltou à África do Sul em 1994 e se tornou um dos principais intelectuais e militantes do Numsa e uma figura central no programa de formação política da organização.

Na dedicatória ao personagem histórico, o partido afirmou: “Com o espírito revolucionário de Fieldmore Mapeto vivo dentro de todos nós, hoje nos comprometemos à longa e tortuosa jornada no lançamento do Partido Socialista Revolucionário dos Trabalhadores. Afirmamos abertamente para que todo o mundo saiba que nós, como socialistas, estamos comprometidos com a construção da organização de uma classe trabalhadora revolucionária. Uma classe consciente de seus próprios interesses. Uma classe que derrubará os parasitas capitalistas. Uma classe trabalhadora que vai tomar o poder para o projeto de construção do socialismo, no qual nenhum ser humano será explorado por outro.”

Durante os três dias de trabalho no lançamento do novo partido sul-africano, os delegados ouviram diversos membros da Comissão Provisória de Trabalho, como o coordenador do SRWP, Irvin Jim. Em sua fala, Jim ressaltou o caminho que trouxe a organização até o momento em que está hoje e a importância da criação desse partido na África do Sul.

Durante o encontro, foi lembrado que, em 2012, o Numsa, provocado pelo massacre de Marikana, começou a traçar um novo curso na política sul-africana. A organização deixou a aliança liderada pelo Congresso Nacional Africano e embarcou em um processo de formação de uma federação sindical independente e de um partido dos trabalhadores.

Em 2017, foi oficialmente lançada a Federação Sul-Africana de Sindicatos (Saftu) com mais de 700 mil membros e, em abril de 2018, foi realizada uma das maiores greves nacionais da história recente da África do Sul, exigindo leis trabalhistas justas e o aumento do salário mínimo nacional.

Em 2018, o objetivo de criar um partido dos trabalhadores enfim se concretizou, quando a sigla foi oficialmente registrada na comissão eleitoral do país em setembro. Em dezembro do mesmo ano, foi realizado o primeiro encontro nacional do recém-formado SWRP em Joanesburgo.

No segundo dia de trabalho do congresso, os delegados se dividiram em comissões para discutir questões diversas da plataforma política do partido, incluindo educação, saúde, moradia e trabalho, e os documentos do partido.

O SRWP deve ser construído a partir desse congresso de lançamento com uma plataforma política, uma constituição, um manifesto produzido a partir do debate e definido pelas bases e a dirigência eleita do partido.

A sigla pretende concorrer nas próximas eleições no país e afirma que a classe trabalhadora do país está pronta para receber um partido que promete uma virada no sistema capitalista que faz tantos sul-africanos sofrerem.

O presidente do Numsa, Andrew Chirwa, afirmou ao congresso que o partido não se pretende um partido de reformas. “Esse é um partido para comunistas. Falamos sério sobre a revolução. Somos um partido para o socialismo, e nada mais”, declarou.

Edição: Peoples Dispatch