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Reunião sobre “saída militar” para Venezuela nos EUA conta com presença brasileira

Embaixador brasileiro participou de reunião de “Avaliação do uso da força militar contra a Venezuela"

Brasil de Fato | Caracas (Venezuela)

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Secretário de Estado americano Mike Pompeo (à direita) e presidente colombiano Ivan Duque se reúnem em Cúcuta, nesta segunda-feira (14) / Foto: Juan Barreto/AFP

Depois de Donald Trump, presidente dos EUA, afirmar que contra a Venezuela, “todas as cartas estão na mesa”, os funcionários da Casa Branca têm trabalhado ativamente na busca de novas táticas que visem desestabilizar o governo de Nicolás Maduro. Apesar da última declaração do Grupo de Lima, que se reuniu essa segunda-feira (15), rechaçar uma intervenção militar no território venezuelano, as recentes ações do governo dos Estados Unidos têm sugerido uma intenção diferente.

Durante a semana passada, mais precisamente no dia 10 de abril, cerca de 40 autoridades, entre elas, o embaixador brasileiro Carlos Velho, participaram de uma reunião em Washington D.C., com a pauta “Avaliação do uso da força militar contra a Venezuela”, convocada pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês) – uma think tank [tanque de pensamento, na tradução literal, uma entidade que reúne pensadores de determinada área] estadunidense, financiada por instituições, como: Banco das Américas, Chevron e Exxon Mobil. 

Já pelos Estados Unidos foram enviados representantes do atual e do antigo Departamento de Estado, do Conselho Nacional de Inteligência e oficiais do Conselho de Segurança Nacional, junto com o Almirante Kurt Tidd, que até recentemente era o comandante do Comando Sul dos EUA. A denúncia foi feita pelo jornalista Max Blumenthal, do portal The Grayzone, quem teve acesso a uma lista com os participantes e recebeu a confirmação da sua realização pela pesquisadora do CSIS, Sarah Baumunk e o pesquisador da Hill &Company, Santiago Herdoiza.

Essa lista de assistentes não apenas confirma que a administração Trump e seus consultores externos estão ponderando opções para um ataque militar à Venezuela, também descreve o elenco de personagens envolvidos na elaboração de uma operação de mudança de regime no país.

"O que um diplomata brasileiro faz em uma reunião secreta onde se planeja uma guerra contra a Venezuela? Bolsonaro viola a Constituilção e a história de paz do seu país numa aventura racista de Trump”, afirmou embaixador da Venezuela na ONU, Samuel Moncada.

Também o chanceler Jorge Arreaza afirmou que o Estado venezuelano levará a denúncia, realizada pelo portal The Grayzone, às instâncias políticas e judiciais competentes.

Pompeo visita fronteira com Venezuela

Aos gritos de: “A pátria não se vende, a pátria se defende”, a Milícia Bolivariana da Venezuela recebeu a notícia de que o secretario de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo visitou Cúcuta, cidade na fronteira colombo-venezuelana, que há um mês meio viveu o episódio da tentativa de entrada forçada de caminhões com suposta ajuda humanitária para a Venezuela, logo depois de passar por Chile, Paraguai e Peru. Essa é a segunda grande viagem pela América Latina de um alto funcionário da administração Trump em menos de cinco meses.

Reunidos em San Antonio del Táchira, os milicianos decidiram demonstrar sua contrariedade à visita do funcionário estadunidense, que afirmou que “a usurpação do poder por parte de Nicolás Maduro tem que terminar”.

O ex-diretor da CIA visitou albergues que acolhem imigrantes e anunciou, junto ao presidente colombiano, Iván Duque, um “plano de impacto”, que prevê US$ 229 milhões de dólares para “apoiar” os estados colombianos que dividem 878 km de fronteira com a Venezuela. 

O plano inclui um pacote de 50 medidas que serão adotadas pelo Executivo Nacional e pelos governos dos estados Norte de Santander, Arauca, Cesar, La Guajira, Vichada y Guainía, que prevê oferta de crédito, criação de empregos e atenção humanitária, voltada para migração venezuelana.

O programa, no entanto, não busca a diminuição da pobreza que bate recordes nos estados La Guajira (52,6%), Cesar (40,7%) e Norte de Santander (40%), segundo dados de 2017 do Departamento Administrativo Nacional de Estadística (DANE). 

Ainda durante sua visita, Pompeo passou pela ponte fronteiriça Simón Bolívar. Do lado venezuelano, o povo questionava as políticas migratórias dos Estados Unidos na fronteira sul com o México. O secretário é um dos entusiastas, ao lado de Donald Trump, da construção de um muro que divida os dois países e impeça a migração latino-americana.

Edição: Pedro Ribeiro Nogueira