POVO TREMEMBÉ

Exposição fotográfica é parte das atividades do “Abril Indígena” no Ceará

A mostra acontece de 23 de abril a 17 de maio na Assembleia Legislativa do Ceará

Brasil de Fato | Fortaleza (CE)

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O objetivo é retratar a cultura, a arte e as faces das crianças, jovens, adultos e troncos velhos dos Tremembé, na cidade de Itapipoca (CE) / Marcos Vieira

Marcando a passagem do mês de abril que lembra a luta dos povos indígenas, acontece a exposição fotográfica Iandé Á’tã Joaju – Juntos Somos Fortes, que vai do dia 23 de abril à 17 de maio, na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, em Fortaleza.

A exposição surge do projeto Ação Tremembé realizado pelo Centro de Estudos do Trabalho e de Assessoria ao Trabalhador (Cetra) e tem como objetivo retratar a cultura, a arte e as faces das crianças, jovens, adultos e troncos velhos dos Tremembé da Barra do Mundaú do município de Itapipoca (CE) e de fortalecer o processo de resistência e luta pela demarcação das terras indígenas.

“Para nós Tremembé da Barra do Mundaú, esta exposição de fotografias tem um significado importante para a luta que fazemos em defesa de nosso território, pois a mesma retrata elementos que mantém viva a nossa esperança de um dia ter nossa terra demarcada”, conta Mateus Tremembé, jovem líder indígena e estudante de agronomia na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab). E continua: “estamos felizes por ver a nossa cultura e tradição sendo apreciada e exposta dentro da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, onde deveria ser um espaço de fácil acesso e que infelizmente é restrito. Sentimos que estamos conseguindo enquanto povo quebrar o paradigma da exclusão”.

As fotografias são do fotógrafo e sociólogo Marcos Vieira. Segundo ele, perceber os povos originários como detentores de direitos é a principal contribuição da exposição. "Eu acredito que esse olhar vai contribuir para, principalmente nesse momento em que a gente vive tanto retrocesso no plano nacional em relação aos indígenas e aos quilombolas, então é muito importante que a gente tome consciência que esses povos originários merecem respeito e merecem ter terra pra viver, ter a terra pra sobreviver", conta.

Sobre as fotografias o jornalista e escritor Flávio Paiva escreve, na apresentação da exposição, que “cada imagem captada por ele [Marcos] não é apenas um gesto de corte do real, mas uma religação de histórias, de memórias e de imaginários”. "Por isso se faz necessário estar lutando e pressionando o poder público e a sociedade civil à fazer parte dessa corrente", conclui Mateus.

Ação Tremembé

O Projeto Ação Tremembé realizou, durante três anos (2016-2019), juntamente com o Povo Tremembé da Barra do Mundaú ações com o intuito de potencializar a defesa dos direitos humanos dos povos indígenas cearenses e, em especial, do Povo Tremembé da Barra do Mundaú.    

“O Projeto Ação Tremembé, trouxe a mensagem de que eu poderia ir muito além das cercas da comunidade, que o Ceará ou Brasil não são o meu limite, que meus sonhos podem sim ser realizados, e que eu sou o responsável por luta por eles. Mostrou-me também que eu poderia produzir minha própria comunicação, e é isso que faço. Suas formações despertaram em mim o interesse em fazer fotografia, vídeos, danças e acima de tudo, possibilitou o meu desenvolvimento como Luan de Castro, o jovem indígena que produz comunicação indígena”, conta Luan de Castro, jovem Tremembé.

Acampamento Terra Livre

 A luta do Povo Tremembé se une com a luta de povos e etnias espalhados por todo o Brasil. Por isso, desde 2004, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB realiza o Acampamento Terra Livre em Brasília,a maior mobilização indígena nacional e importante momento para fortalece a identidade indígena e unificar o discurso e a luta. O Acampamento 2019 acontece de 24 a 26 de abril e dentre os cerca de cinco mil indígenas esperados está um representante dos Tremembé da Barra do Mundaú.

 

Edição: Monyse Ravenna