Saúde

Nos quinze anos do SAMU, trabalhadores do serviço na capital de SP seguem em luta

Os "samuzeiros", como são chamados, se mobilizam contra decreto da Gestão Covas que sucateou o serviço

São Paulo | Brasil de Fato (SP)

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O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi criado há exatamente 15 anos por um decreto do ex-presidente Lula. / Carla Cleto

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi criado há exatamente 15 anos por um decreto do ex-presidente Lula. Em meio a um cenário de desmonte das políticas públicas de saúde, os funcionários do serviço na cidade de São Paulo tem se mobilizado para garantir que o SUS não seja sucateado.

Neste mês, eles realizaram três paralisações: nos dias 1, 9 e 22/04. Em decorrência do último desses movimentos, a prefeitura finalmente decidiu ceder em algumas das reivindicações. 

Em reunião ocorrida nesta terça-feira (23), representantes da gestão Covas concordaram em não cortar o ponto dos grevistas por conta dos três dias paralisados desde o início do mês (1,9 e 22/04); e também com a criação de uma comissão de 4 trabalhadores do SAMU que deverá, dentro de 20 dias, entregar relatório apontando falhas e irregularidades causadas pela “reestruturação” do serviço, implementada, em março, pela prefeitura.

Desde que a portaria 190 foi assinada pelo prefeito Bruno Covas, 31 das 51 bases do SAMU foram fechadas. Suas ambulâncias e equipes foram espalhadas por 78 chamados “pontos de assistência” em hospitais municipais, Unidades Básicas de Saúde (UBS), Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs), e até Centros de Atendimento Psicossocial (CAPS) . 

O problema é que essas unidades não tem estrutura adequada para limpeza das ambulâncias - onde é comum que haja sangue, vômito, fezes, urina - descanso apropriado e higiene dos trabalhadores. Além disso, em alguns desses locais as ambulâncias encontram dificuldade para saírem à rua, por conta do fluxo constante de pacientes, médicos e funcionários. 

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias no Município de São Paulo (Sindsep), que coordena a mobilização, a reestruturação prejudicou os trabalhadores do SAMU e a própria população, que sofrerá com a demora na chegada das equipes. 

João Gabriel Guimarães, vice-presidente do Sindsep, argumenta que o fechamento das bases causou “dano irreparável à capacidade de atendimento do SAMU”. Segundo ele, isso se explica, entre outros fatores, pelos locais que as antigas bases ocupavam: “[Elas] estavam localizadas em pontos estratégicos da cidade, próximos de vias rápidas [e] do maior número de ocorrências.

Dentro dos próximos vinte dias, a comissão de 4 trabalhadores formada pelo acordo com a prefeitura visitará todos os 78 “pontos de assistência” criados pela prefeitura, relatando as insuficiências da cada um. 

“Depois de vinte dias a gente vai retomar as mesas de negociação. Se não chegarmos a um acordo, a categoria pode voltar a entrar em greve”, concluiu Guimarães. 







 

Edição: Tayguara Ribeiro