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Fortalezenses vão às ruas para pedir mais empregos e defender a aposentadoria

Mobilização para realizar uma greve geral e caráter cultural marcaram a manifestação na capital cearense

Brasil de Fato | Fortaleza (CE) |
O ato foi construído ao longo do mês de abril pelas centrais sindicais
O ato foi construído ao longo do mês de abril pelas centrais sindicais - Camila Garcia

Nem a chuva impediu as trabalhadoras e os trabalhadores de realizar um grande ato ontem em alusão ao 1º de Maio em Fortaleza. Com a chamada "Por mais empregos e salários decente decentes, contra a MP 873/19 e o fim da aposentadoria" milhares de pessoas percorreram a avenida Beira Mar, na Praia de Iracema. A atividade terminou com muita música em um Ato Cultural no calçadão em Frente ao Centro Belchior. 
Durante a manifestação, foram marcantes as falas sobre a unidade entre movimentos populares, partidos políticos e organizações para combater o governo de Jair Bolsonaro (PSL). O ato foi construído ao longo do mês de abril pelas centrais sindicais – CUT Ceará, CSB, CSP-Conlutas, Intersindical, CTB, em conjunto com a Unidade Classista e as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo realizam ato unificado na Praia de Iracema, em Fortaleza.
O presidente da CUT Ceará, Wil Pereira, disse que o ato do 1º era uma preparação para a greve geral convocada pelas centrais sindicais contra o fim da aposentadoria. A paralisação nacional será dia 14 de junho. “Vamos parar o Brasil em protesto contra essa perversa reforma da Previdência. Vamos dizer em alto e bom tom que não queremos nenhum direito a menos. Dia 14 de junho o país vai parar”, declarou o dirigente.
Ana Maria, aposentada e moradora do Lagamar, na periferia de Fortaleza, participou do ato por defender que o 1º não pode marcar apenas um feriado qualquer. "Estamos aqui neste dia, para fortalecer a luta dos trabalhadores contra a reforma da Previdência e para construir a greve geral. Também para resaltar a consciência soberana do povo da Venezuela que ontem garantiu o não ao golpe dos Estados Unidos apoiado por Bolsonaro," afirmou a manifestante.
Os cortes de orçamento para universidades públicas investirem nas áreas de humanidades, bem como o fim de políticas de apoio produção cultural no Brasil também fizeram parte das denúncias lembradas durante o ato. Muitos estudantes e trabalhadores da cultura foram as ruas com faixas e batucadas. "Os cortes absurdos estão em várias áreas e estamos aqui para mostrar que o cinema cearenses resite pela cultura," afirmou o produtor cultural, Chico Célio.
A caminhada terminou no Aterrinho da Praia de Iracema, onde os manifestantes foram esperados com muita música. Shows de artistas cearenses lembraram um ano da morte do cantor Belchior e homenagearam a sambista Beth Carvalho, falecida no último 30 de abril. Os artistas foram citados por sua carreira, obra artística e ideais de defesa da democracia. 
Mobilizações no interior
Também foram realizaram atos no interior do Ceará. No Crato, na região do Cariri cearense, centenas de pessoas percorreram 10 km na madrugada de ontem pelas ruas da cidade. Já em Várzea Alegre, os manifestantes bloquearam a BR-230 em protesto contra o fim da aposentadoria. Atos religiosos, marchas e audiências públicas sobre a reforma da Previdência (PEC 06/2019) também estão sendo realizados durante esta semana em Tauá, Crateús, Baturité, Iguatu, Limoeiro do Norte. As atividades têm mobilizando agricultores familiares, professores, servidores públicos, estudantes, aposentados, sindicatos, federações e lideranças locais.


* Com a Colaboração de Tarcísio Aquino

Edição: Monyse Ravena