DIA DAS MÃES

Mães de Manguinhos: como a dor do luto foi transformada em luta no Rio de Janeiro

Favela de Manguinhos recebe este sábado (11) a quinta edição do Levante de Mães por memória, justiça e liberdade

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Objetivo do movimento Mães de Manguinhos é acolher familiares das vítimas de violência do estado / Fernando Frazão/Agência Brasil

“Pode passar mil anos, mas uma mãe nunca vai esquecer do filho que veio a óbito por intervenção policial violenta”, relata Eliene Vieira do grupo Mães de Manguinhos. A dor do luto transformada em luta é compartilhada com diversas mulheres de comunidades do Rio de Janeiro que perderam os filhos para uma política de segurança pública que sacrifica vidas jovens, negras e faveladas.

Na véspera do Dia das Mães, neste sábado (11), às 15h, acontece a 5ª edição do Levante das Mães de Manguinhos por memória, justiça e liberdade. O evento faz parte da Semana Estadual das Pessoas Vítimas de Violência do Estado do Rio de Janeiro, com programação no Rio e em São Paulo.

O movimento que luta pelo fim da violência policial surge no contexto de assassinatos em operações da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) de Manguinhos, mas se estende a outras localidades afetadas pela militarização.

“Prezar pela memória desses meninos é para que se entenda que além da dor da mãe esse jovem tinha uma vida, família, um futuro que foi interrompido pela intervenção policial nas comunidades. Quer dizer que a gente não quer que aconteça outras vezes. A dor de uma mãe que perde um filho é a mais absurda, insuportável, que um ser humano possa imaginar”, disse Eliene em entrevista ao Programa Brasil de Fato.

Mães de Manguinhos

O principal objetivo do grupo, segundo Eliene, é fazer o acolhimento das mães e familiares das vítimas. Em parceria com entidades defensoras dos direitos humanos como Justiça Global, Anistia Internacional e a ONG Fase, é possível custear a passagem e a alimentação das mulheres no dia do evento.

O ato vai homenagear Matheus Melo de Castro, de 23 anos, assassinado pela polícia em 2018 na entrada da favela do Jacarezinho quando voltava para casa, na zona norte. Carlos Eduardo dos Santos Lontra, 27, e Rômulo Oliveira da Silva, 37, mortos este ano pela ação de atiradores de elite da torre da Cidade da Polícia Civil, em Manguinhos. E Rômulo, porteiro da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que também foi baleado e morreu em Manguinhos. “Uma dor que ninguém vai reparar”, resume Eliene.

Em memória à Vera Lúcia Gonzaga, fundadora do Mães de Maio e falecida ano passado, será colocada uma placa na árvore que ela plantou em Manguinhos no 2º Encontro Nacional de Mães e Familiares de Vítimas do Terrorismo do Estado. O ato simbólico vai ser repetido este ano com plantio de mudas na praça de Manguinhos pelas mães de vítimas da violência do estado.

Edição: Vivian Virissimo | Redação: Clívia Mesquita | Entrevista: Denise Viola