Educação

Em Curitiba, mais de 30 mil tomam as ruas em defesa da educação pública

Na capital paranaense, duas atividades principais ao longo do dia reuniram milhares de pessoas nesta quarta-feira (15)

Curitiba

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Protesto em defesa da educação com mais de 30 mil manifestantes em Curitiba / Giorgia Prates

Estudantes universitários, de pós-graduação e do ensino médio, professores, técnicos, movimentos sociais e apoiadores da luta pela educação pública tomaram as ruas de Curitiba, capital do Paraná, nesta quarta-feira (15). Ao longo de todo o dia, mais de 30 mil pessoas protestaram contra os cortes na educação pública e também em defesa dos direitos dos trabalhadores ameaçados pela Reforma da Previdência.

Pela manhã, estudantes e professores da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) vieram em caminhada até a Praça Santos Andrade, centro da capital,  e se juntaram com os manifestantes de colégios estaduais, da Universidade Federal do Paraná e dos Institutos Federais. Mais de 20 mil pessoas saíram em passeata pelas ruas do centro a cidade. Professor do curso de Letras da UTFPR, Rogério esteve no ato junto com as filhas e disse que a luta é pelo futuro dos mais jovens. “É uma questão de sobrevivência das Universidades. Todos deviam se preocupar e se juntar a esta mobilização”. 

Ao todo, o Ministério da Educação (MEC) já fez bloqueios de cerca de R$ 5 bilhões, cortando verbas de todas as etapas da educação. Nas Universidades, o corte comprometeu R$2,1 bilhões. Indígena da etnia Terena e estudante de Direito da UFPR, Luciana Beatriz salientou a importância de unir forças ao ato. “Só nos mobilizando podemos fazer alguma diferença para salvar a educação pública”.

Além das instituições federais, atingidas pelo corte orçamentário de 30%, também marcaram presença professores e alunos da rede estadual de ensino. Mais de  R$900 milhões também foram cortados da Educação Básica pelo governo Bolsonaro. A professora Ana Lucia Martins de Souza, da rede estadual, disse que ela e muitos outros estão na rua para lutar pela educação que é um direito básico. “A educação é um dos principias direitos do ser humano. É uma luta de todos. Queremos que a educação pública seja direito de todos e não é cortando recursos que isso acontecerá”.

Lourdes Caldas, professora aposentada da rede pública de ensino foi a manifestação com sua neta e disse que mesmo que tenha lutado uma vida inteira, agora vem pelo futuro dos netos. “Eu fiz questão de estar aqui com a minha neta para ensinar cidadania num momento em que a educação está sendo atacada”.

As manifestações continuaram ao longo de todo o dia e culminaram em ato durante a noite que reuniu mais de 10 mil manifestantes.

Conscientizar a população sobre a importância da Universidade

Durante a semana, estudantes da UFPR e UTFPR foram às praças, terminais de ônibus e ruas da cidade para conversar e mostrar à população o conhecimento produzido dentro das universidades públicas. Kauana Garcia, estudante de Arquitetura e Urbanismo na UFPR, presente no ato da noite, explica que levar esta informação para a sociedade é uma das atitudes mais importantes. “Além destas mobilizações como a de hoje, é importante pensarmos em como fazer com que a sociedade nos apoie e compreenda o papel da Universidade. Por exemplo, o nosso curso de Arquitetura tem um projeto que atende comunidades periféricas. Então, mostrar como a Universidade tem relação direta com a vida das pessoas”.

Escolas e universidades privadas no ato em apoio à educação pública

Escolas e universidades particulares também apoiaram a manifestação ato ao longo do dia. Foi o caso dos estudantes de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), presentes no ato à noite. Eles que fizeram questão de trazer faixas para divulgar o apoio. Emily, uma das estudantes do curso, disse que a presença deles se dá pela defesa do conhecimento científico que está sob ataque. “Apesar de sermos de uma instituição privada, temos que lutar porque isso afeta a gente. E não é só sobre o corte de recursos. Querem acabar com cursos de Sociologia, Filosofia e são cursos que faz a galera pensar”.

Outras mobilizações

Como forma de protesto ao corte de 30% na educação e contrários à privatização da Petrobras, petroleiros e petroquímicos também paralisaram as atividades na manhã desta quarta-feira na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar) em Araucária, e na Usina do Xisto, em São Mateus do Sul. O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) anunciou que cerca de 20 mil metalúrgico realizaram uma paralisação.

Atos em defesa da educação também foram registrados em Londrina, Marechal Cândido Rondon e Foz do Iguaçu.

 

Edição: Franciele Petry