MOBILIZAÇÃO

No Rio, aulas públicas e ato estão na agenda da greve da educação nesta quarta

A programação começa às 10h na praça XV e segue com uma grande manifestação às 17h na Candelária

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Assembleia de estudantes da UFRJ na semana passada deliberou pela paralisação dia 15, a mesma cena foi vista em universidades por todo país / Eduardo Morrot

Em um dos estados mais atingidos pelos cortes na educação e sede de escolas federais como Colégio Pedro II e CEFET, e instituições como a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que tiveram cortes de 30% e 41% respectivamente, o Rio de Janeiro terá agenda de luta durante todo dia nesta quarta-feira (15). A programação faz parte da Greve Nacional pela Educação que acontece em todo país e questiona os cortes em todo os âmbitos da educação, desde o ensino básico até o ensino superior. 

A partir das 10h, na Praça XV, Centro do Rio, será promovido um diálogo de estudantes, professores e técnicos das universidades e institutos federais com a população. No local, será exposto o que é produzido nas atividades de pesquisa e extensão dentro do ambiente de ensino e feitas também serão ofertadas oficinas e aulas públicas sobre a reforma da Previdência, os cortes, etc. A partir das 15h acontece na Candelária a concentração para um grande ato que irá em direção a Central do Brasil a partir das 17h. 

A professora da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ e diretora do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), Mariana Trotta, falou sobre a mobilização durante o programa Brasil de Fato desta segunda-feira (13)

“Estamos vivendo uma conjuntura de aprofundamento dos ataques à educação no Brasil, e da educação superior em especial. É um processo de perseguição aos docentes, precarização da atividade e cerceamento da liberdade de cátedra, do direito de ensinar do professor e aprender dos estudantes, que estão previstos no texto constitucional. E agora temos um ataque ao funcionamento da universidade com o anúncio de cortes e contingenciamento, ou seja, bloqueio das verbas de investimento de custeio na universidade e institutos federais no Brasil. A gente tem notícias como a da UFRJ, com um corte de 41% da verba de custeio, o que vai impactar a possibilidade do funcionamento concreto das atividades de ensino, pesquisa e extensão”, disse. 

Ela também explicou a diferença entre cortes e contingenciamentos. “A gente já tem tido uma redução, um corte das verbas. Essa realidade se aprofundou mais ainda com a Emenda Constitucional 95, que mudou o sistema fiscal brasileiro, colocando o famoso teto dos gastos nas políticas sociais. Então isso já gerou um impacto no recurso encaminhado para as instituições. O que estamos colocando é que além desses cortes a gente ainda vai ter um contingenciamento, um bloqueio, não repasse, do que foi garantido de verbas para as universidades sendo feito pelo governo. E para nós é um jogo muito perverso do governo. Porque ele vai à televisão dizer que se for feita a reforma da Previdência, essa verba será liberada. Ou seja, querendo jogar para a população e dizer ‘olha vocês tem que escolher entre a educação superior e a existência da Previdência social’, concluiu. 

Edição: Brasil de Fato RJ