Soberania

Frente Parlamentar em Defesa da Petrobras é lançada na ALMG

Em audiência pública em BH, trabalhadores da empresa, professores e sindicalistas defendem fortalecimento da estatal

Belo Horizonte (MG)

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Petroleiros preparam série de mobilizações em defesa da Petrobras / Willian Dias/ALMG

“Se privatizar melhora?”. A deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT) abriu com esse questionamento a audiência pública da Comissão de Trabalho, da Previdência e da Assistência Social da Assembleia Legislativa de Minas Gerais na noite desta quarta-feira (22). “ A Vale é o maior exemplo do contrário: se privatizar mata. O público que nos interessa, pois o público que faz os trabalhos relacionados aos interesses da sociedade”, continuou, ao anunciar os convidados que falariam sobre o tema “A importância do refino para a Petrobras e para o Brasil”.

O ex-engenheiro da empresa Paulo César Ribeiro Lima retomou a importância da descoberta do pré-sal e distinguiu o que ele chama de “administração” da empresa do trabalho da Petrobras em si. “A Petrobras não é uma empresa de exploração e produção: é uma empresa de refino, de distribuição, de transporte. Como todas as grandes empresas do mundo, ela não se resume a uma parte da cadeia”, pontua, fazendo alusão à visão do atual presidente da empresa, Roberto Castello Branco

Ele reforça a importância de se pensar uma política de preços no Brasil para os derivados do petróleo, que seja compatível com a capacidade da estatal. “Não faz sentido que o país pague um diesel vinculado ao preço dos Estados Unidos e ainda sofra com as volatilidades da taxa de câmbio”, comenta. “Poderíamos praticar preços muitos bons para a sociedade, já que temos refinarias amortizadas e produção de boa qualidade a baixo custo”, destaca. Ele sugere a criação de um fundo próprio da empresa, que fique imune ao imposto de exportação e garanta a estabilização de preços para a população brasileira.

Tadeu Porto, da Federação Única dos Petroleiros (FUP), levantou a importância da Petrobras para os investimentos em diversas áreas do Brasil como, por exemplo, na indústria naval. Jairo Nogueira Filho, secretário-geral da CUT Minas, relembra os constantes ataques ao setor de energia no Brasil e as tentativas de privatização. “É surreal o que está acontecendo. Essas empresas estrangeiras que querem comprar as riquezas do Brasil vão aumentar os preços, diminuir a qualidade dos serviços e deixar a população ao léu”, critica. 

A relação da Petrobras com a educação foi reforçada pela integrante da direção executiva da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) Marilda de Abreu Araújo. “A privatização da Petrobras não compromete só o setor energético, mas toda a economia brasileira. Sem o fundo do pré-sal, a educação e a saúde deixam de receber milhões de reais todos os anos”, exemplifica.

André Xavier, representante da Frente Brasil Popular, analisa que os ataques à Petrobras fazem parte de uma iniciativa de destruição, “em todas as áreas”. Ele levanta a importância de unificar as lutas e fazer a disputa com a sociedade. “Não há nada sem volta. Temos que iniciar um  novo processo no país, construir as condições para outro projeto de democracia e desenvolvimento nacional”, diz.

Alexandre Finamori, diretor do Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindipetro/MG), alerta que se a Petrobras já tivesse colocado em prática essa estratégia defendida hoje, de atuar com a lógica de mercado e para atender interesses de rentistas, não teria sido descoberto o pré-sal. “Por uma decisão de Estado, a Petrobras investiu, encarou o risco e descobriu as reservas gigantescas que mudaram o patamar da empresa no mundo”, ilustra.

No dia 29 deste mês, está previsto o lançamento de frente com o mesmo caráter no Congresso Nacional.  Os deputados federais petistas Margarida Salomão, Rogerio Correia e Padre João enviaram representantes para a audiência mineira. Outras atividades anunciadas são um protesto organizado pelo Sindipetro na sexta (24), na porta da Refinaria Gabriel Passos, em Betim, às 9h. o ato integra uma agenda de manifestações contra a venda de refinarias da Petrobras. Também foram citadas as mobilizações contra os cortes na educação no dia 30 e a organização de uma greve geral, em reação à tentativa de privatização da Previdência, no dia 14 de junho.

Edição: Elis Almeida