Opinião

Artigo | Sergio Moro e Dallagnol operavam na sombra

Pelo avançar das investigações jornalísticas e, espera-se, também policiais, chegaremos ao nome de todos envolvidos

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Procurador do Ministério Público Federal e coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol / Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

De acordo com investigações que fizemos no meio virtual, concluímos que a direita brasileira difundiu diante da sociedade o mito da conspiração comunista, tendo o Foro de São Paulo como fator imagético primordial.

Tal mito, por espalhar o terror, afirmando que as “forças do mal” (comunistas) estariam por dominar toda a América Latina (Ursal), levou que as autodenominadas “forças do bem” se unissem, organizassem e agissem, sob a forma de contra complô, de modo a enfrentarem as tais forças malignas.

Como as ditas forças do bem preferem a escuridão para operar, pensei ser conveniente chamar essa sociedade secreta que pretende levar o Brasil para extrema direita de “Sociedade Muda Brasil”, a SOMBRA.

Na entrevista que concedi ao Brasil de Fato, ao ser perguntado sobre quem participaria dessa organização criminosa de extrema direita, afirmei que seriam necessárias investigações jornalísticas e criminais para a responsabilização. Pois bem. A resposta chegou mais rápido do que eu esperava.

As recentes revelações de The Intercept Brasil estão deixando claro os primeiros nomes da Organização Criminosa, a SOMBRA, que cooptou mulheres e homens e públicos, colocando-os a serviço da “causa santa”, o combate ao comunismo. Tal SOMBRA envolve membros dos vários escalões do Judiciário, das Forças Armadas, das Polícias, do Serviço Público e da esfera política, assim com mídias, jornalistas e empresários.

Pelo avançar das investigações jornalísticas e, espera-se, também policiais, chegaremos ao nome de todos envolvidos.

Dimas Antonio de Souza é professor de Ciência Política do Instituto de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas).

Edição: Elis Almeida