VENEZUELA

Michelle Bachelet, da ONU, se reúne com ministros venezuelanos e encontrará Maduro

Alta comissionada das Nações Unidas também vai se reunir com líderes opositores nessa sexta-feira (21)

Brasil de Fato | Caracas (Venezuela)

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Bachelet, ao lado do ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, um dos principais líderes dentro do governo Maduro / Foto: Ministério da Comunicação

A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, ex-presidenta do Chile, está em visita oficial à Venezuela e, nessa sexta-feira (21), vai se reunir com o presidente Nicolás Maduro.

Na quinta-feira (20), a jornada foi de reuniões com ministros de estado da Venezuela, que apresentaram informes dos diferentes setores do governo Maduro.

A primeira reunião do dia foi com os ministros da Defesa Vladimir Padrino López, do Interior, Justiça e Paz, Néstor Reverol e o coordenador do sistema das Nações Unidas na Venezuela, Peter Grohmann.

As reuniões seguintes foram com o ministro da Educação, Aristóbolo Isturis, do de Planejamento, Ricardo Menéndez e chanceler Jorge Arreaza. Além disso, também manteve reuniões com o presidente do Tribunal Supremo de Justiça, Maikel Moreno, o procurador-geral da República, Tarek William Saab, e o defensor do Povo [defensor público-geral], Alfredo Ruíz.

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Presidente do Supremo da Venezuela esteve com Michelle Bachelet | Foto: MPPCI

Ao fim dos encontros, o ministro do Planejamento falou sobre alguns dos temas tratados com a alta comissária da ONU. “Estamos denunciando como os direitos humanos dos venezuelanos vêm sendo afetados, devido aos ataques sistemáticos à economia venezuelana realizados pelos Estados Unidos. Os recursos do governo venezuelanos foram amplamente afetados, comprometendo o desenvolvimento da nação. Para que tenham uma ideia o orçamento do governo de 2013 foi de US$ 42 bilhões e esses recursos em 2018 foram reduzidos a US$ 4 bilhões, uma de redução de mais dez vezes”, afirmou Ricardo Menéndez.

Segundo o governo venezuelano, o bloqueio econômico capitaneado pelos Estados Unidos representa uma grave violação dos direitos humanos da população. O ministro Menéndez forneceu dados sobre contas bloqueadas no exterior e estimou que país já tenha acumulado  116 bilhões de euros em prejuízos causados pelo embargo. “Pedimos as Nações Unidas que possa interceder pelos recursos sequestrados que a Venezuela tem no exterior. Temos mais de US$ 4,8 bilhões somente em contas de bancos estrangeiros", queixou-se. 

O ministro do Planejamento detalhou ainda quais são os principais recursos bloqueados e o que eles poderiam fazer pelo país. “Nos bancos da Inglaterra a Venezuela possui EUR$ 1,6 bilhão. Isso representa um ano de Clap (cesta básica subsidiada pelo governo), distribuída a cada 15 dias para 6 milhões lares. Em Portugal temos EUR$ 1,3 bilhão, o que seria suficiente para comprar todos os insumos para a agricultura nacional por um ano. E nos EUA, valor bloqueado em banco é de EUR$ 1,1 bilhão, com os quais poderíamos abastecer o país com medicamentos também pelo período de um ano”, informou.

Agenda opositora e encontro com Maduro

Nesta sexta-feira (21), Michelle Bachelet se reúne com o presente da Assembleia Nacional Constituinte, Diosdado Cabello. O encontro com o presidente Nicolás Maduro será sua última agenda oficial no país. A alta comissária não fez pronunciamentos públicos sobre sua visita, mas antes de partir, fará uma declaração à imprensa, no aeroporto internacional Simón Bolívar.

Neste último dia de visita, Bachelet também realiza reuniões com líderes opositores, assim como o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó. Entre as pautas, está a liberação reivindicada pela oposição de presos detidos em protestos violentos e ações irregulares.

Na última segunda-feira (17), foram liberados três presos opositores, entre eles o deputado da Assembleia Nacional Gilber Caro, preso em flagrante, em janeiro desse anos, acusado de portar armas e explosivos em seu veículo.

Outros dois militantes, Melvin Faria e Junior Rojas, foram soltos, depois de um ano de prisão, por envolvimento em atos políticos violentos.

Os partidos da oposição convocaram protestos, que terão concentração em zonas de classe média de maioria opositora. Também chamaram a protestar no centro da capital venezuelana, onde está localizado o palácio presidencial, por isso o governo elevou o alerta de segurança nacional para laranja, apenas um grau abaixo que o alerta máximo.

Edição: Rodrigo Chagas