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Mesmo após revelações contra operação, apoiadores fazem ato em defesa da Lava Jato

Manifestações pró-Moro são convocadas por Vem Pra Rua e MBL, a quem ex-juiz chama de "tontos" em conversa vazada

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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MBL diz que ato é reação às reportagens publicadas e que mostram que Moro atuou com parcialidade na operação / Nelson Almeida / AFP

Mesmo após uma série de revelações do site The Intercept Brasil contra Sérgio Moro – última reportagem foi divulgada na madrugada desta sábado (29) –, movimentos de extrema direita convocam atos em todo o país em defesa  da Operação Lava Jato e do ministro da Justiça neste domingo (30).

Ausentes nas últimas manifestações em defesa do presidente Jair Bolsonaro (PSL) no fim de maio, os movimentos Vem Pra Rua e Movimento Brasil Livre (MBL) são os principais organizadores das manifestações. 

“Não podemos deixar a operação contra a corrupção da história ser atacada sem ser defendida”, diz o MBL na convocação. Os dois grupos lideraram os atos pelo impeachment de Dilma Rousseff. No entanto, chamaram a convocação dos atos contra Bolsonaro de “antirrepublicanos”.

Depois do racha, os movimentos de direita voltaram alinhados desta vez, embora tenham divergências sobre a prioridade dos temas. Basicamente, o que varia é o espaço que cada um acha que Moro deve ocupar nos discursos e faixas.

Na capital paulista, os atos da direita vão ocorrer no Museu de Arte de São Paulo (Masp) a partir das 14h. No Facebook, apenas 2 mil pessoas confirmaram presença no evento.

Tanto o MBL quanto o Vem Pra Rua afirmam que a pauta da manifestação é a defesa de Moro, da Reforma da Previdência e do pacote anticorrupção enviado pelo ministro ao Congresso Nacional.

Os líderes dos movimentos, no entanto, dizem que os atos permanecem sendo se posicionar favoravelmente ao governo Bolsonaro e que a decisão de convocar as manifestações é “uma reação à invasão do celular do Sérgio Moro”.

No dia 9 de junho, o The Intercept divulgou mensagens entre Moro e o procurador da República Deltan Dallagnol, que mostram que os dois trocavam colaborações quando integravam a força-tarefa da Lava Jato.

Nas últimas reportagens divulgadas pelo site e o jornal Folha de S.Paulo no dia 23 de junho, o ex-juiz chama os militantes do MBL de tontos em uma conversa de 2016. Na matéria, os veículos mostram que Moro também se preocupou em proteger o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso das investigações da operação.

Já nas conversas divulgadas na madrugada deste sábado (29), procuradores do Ministério Público Federal criticam a maneira como Moro agia durante a Lava Jato e a ida dele para o ministério da Justiça.

 

Edição: Aline Carrijo