Coluna

Governo Bolsonaro e o desmonte do ensino superior público

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19 de Julho de 2019 às 10:58

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A intenção é acabar com o ensino superior público da forma como o conhecemos / Evaristo Sá/AFP
"Ao governo Bolsonaro interessa apenas a morte do povo brasileiro"

Esta semana tivemos as primeiras informações do que o Bolsonaro quer fazer com a educação universitária no Brasil. É bem verdade que as informações ainda são superficiais, mas, não restam dúvidas de que a intenção é acabar com o ensino superior público da forma como o conhecemos. Dentre outras propostas, está evidente que querem que as universidades se mantenham com recursos captados no setor privado e cada vez menos investimento público em pesquisa e formação de profissionais.

Apenas este aspecto já carrega em si uma série de preocupações quanto à insustentabilidade das universidades brasileiras. Mas eu digo que pensar no perfil dos profissionais formados em nosso país talvez seja fator mais importante a ser considerado neste debate. E para isso, quero falar um pouco da formação em saúde, que é a minha área.

Não é de hoje que o mundo inteiro discute a importância de se formar profissionais de saúde com perfil voltado para atuação na realidade enfrentada em cada país e em cada momento histórico. Mas, a pergunta que faço é a seguinte: estariam os interesses privados alinhados com as necessidades de nosso povo? Estariam as empresas preocupadas de fato com a formação de profissionais comprometidos com a realidade brasileira ou apenas norteados por interesses de mercado?

Apesar dos avanços e das melhorias ocorridas nos currículos dos cursos de saúde nas últimas décadas, a verdade é que nós ainda temos uma formação insuficiente diante de nossa realidade. Um exemplo muito concreto que posso citar é o que envolve os agrotóxicos e os potenciais agravos causados pelo contato direto ou indireto com estes venenos. Nossa formação médica, no geral, é absolutamente deficiente na preparação de nossos profissionais para lidar com contaminações, agudas ou crônicas, por venenos. E não tenho dúvidas de que não interessa às grandes indústrias da área, como a Monsanto, estudar mais a fundo estas implicações.

Meu maior receio é que só restem investimentos para áreas que deem muito lucro na medicina, como a realização de procedimentos intervencionistas e etc. Mas quem vai se preocupar com as pessoas que adoecem e morrem diariamente com diarreia, pneumonia, tuberculose e tantas outras doenças negligenciadas pelo setor privado? Ao que parece, ao governo Bolsonaro interessa apenas a morte do povo brasileiro.

Edição: Monyse Ravenna