Luta

Universidades paranaenses mantêm greve por salários e condições de trabalho

Todas as sete instituições estão com aulas suspensas neste começo de segundo semestre.

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Além da reposição salarial, querem contratação de profissionais que fizeram concursos e retirada da proposta da Lei Geral das Universdades / Sindiprol | Aduel

As sete universidades estaduais do Paraná começam o segundo semestre em greve, depois de negociações de sindicatos com o superintendente de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Bona, que não levaram a qualquer resultado na segunda, 22/7. 

Além da reposição salarial de 17,04%, por conta do congelamento de salário nos últimos anos, os professores querem a contratação de profissionais que já fizeram concursos, mas não foram chamados para assumir os cargos, o arquivamento do projeto de lei 04, que congela carreiras por até 20 anos, e a retirada da proposta da Lei Geral das Universidades que, segundo eles, fere a autonomia universitária. 

Em relação ao reajuste, os professores explicam que a proposta do governo Ratinho Jr., de reajuste de 2% em janeiro de 2020, não repõe nem a inflação de agora até o começo do próximo ano, aumentando mais ainda as perdas salariais já registradas. 

Segundo Artur Lourival da Fonseca Machado, professor de matemática da Universidade Estadual do Centro-Oeste, “Com essa defasagem já foram perdidos 3,57 salários até abril de 2019, devendo chegar a 5,2 salários até dezembro deste ano”, afirma. Ele calcula que, se for aceita a proposta do governo, os professores e funcionários públicos podem perder 11 salários até 2022. 

Sobre o projeto de Lei 04/2019, que congela as carreiras do estado, e que foi pauta de negociação entre o governo e todo o funcionalismo, os professores alegam que Ratinho se comprometeu a retirar a proposta da Assembleia Legislativa, mas, segundo dados da Alep, ela continua tramitando. Para os sindicatos, o projeto tem de ser arquivado definitivamente. 

Mas um dos pontos principais da greve é a contratação de professores já aprovados desde 2015 e que não foram chamados e a abertura de novos concursos. Hoje, dos cerca de 7,6 mil professores nas universidades estaduais, cerca de 1700 são temporários. E, para o começo do segundo semestre, não está garantida nem a manutenção desses temporários, o que praticamente inviabilizaria o funcionamento de diversos cursos mesmo sem a greve. 

 

Edição: Laís Melo