PERSEGUIÇÃO

Escritório onde Ola Bini trabalhava é invadido em Quito; computadores são roubados

Crime pode representar uma nova tentativa de encontrar provas que incriminem o ativista digital sueco

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Um dos programadores mais reconhecidos do mundo, o sueco Ola Bini é famoso por seu trabalho como desenvolvedor de softwares livres / Foto: Reprodução / Twitter

As instalações do Centro de Autonomia Digital (CAD), organização fundada pelo ativista de software livre Ola Bini com sede em Quito, no Equador, foram invadidas na noite desta quarta-feira (31). Segundo informações iniciais, computadores e celulares foram levados.

“Ontem a noite, o escritório do CAD, lugar de trabalho de Ola Bini, foi assaltado e os criminosos levaram equipamentos informáticos que o centro usa para realizar seu trabalho”, afirmou o advogado de Bini, Carlos Soria. 

A invasão ocorre pouco mais de um mês depois que a Justiça equatoriana concedeu um habeas corpus que dá a Bini o direito de responder em liberdade à acusação de ter cometido o crime de ataque à integridade de sistemas informáticos.

A prisão do ativista sueco, que durou quase 70 dias, foi amplamente condenada por organizações de direitos humanos, entre elas a Organização das Nações Unidas, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e o Observatório de Direitos Humanos e Justiça.

O assalto aconteceu na véspera de uma audiência que tenta vincular Marco A – suposto criminoso que não teve seu nome inteiro revelado – ao caso Bini. A defesa do sueco afirma que a alegação de que ele teria ligação com Marco A. consiste em uma tentativa de ganhar tempo para forjar provas contra ativista.

Até o momento, nenhuma evidência contra Bini foi apresentada. Assalto pode representar uma nova tentativa de encontrar provas que incriminem o ativista.

A perseguição

Bini foi detido no dia 12 de abril no Aeroporto Mariscal Sucre, enquanto aguardava para embarcar em um voo com destino ao Japão. A prisão ocorreu poucas horas depois que o governo do país anunciou a suspensão do asilo diplomático ao fundador do WikiLeaks, Julian Assange, que vivia na embaixada equatoriana em Londres desde 2012.

Sem que houvesse uma acusação formal contra Bini, a detenção foi baseada inteiramente na alegação de que o ativista era próximo a Assange, o que não configura crime.

Nenhuma evidência de que o ativista fizesse parte do WikiLeaks foi apresentada. Ainda assim, a justiça equatoriana emitiu uma ordem de prisão contra o ativista. Posteriormente – já detido –, ele foi acusado de ataque contra a integridade de sistemas informáticos. 

Um dos programadores mais reconhecidos do mundo, o sueco Ola Bini é famoso por seu trabalho como desenvolvedor de softwares livres.

A tese de que ele teria supostamente hackeado membros do governo do Equador em colaboração com o WikiLeaks é vista com desconfiança no mundo da tecnologia, uma vez que Bini é um notório ativista pelo direito à privacidade.

Edição: Rodrigo Chagas