RETROCESSO

Editorial | Future-se: o atalho para o passado

Após onda de cortes, Bolsonaro quer privatizar a educação

Brasil de Fato | Recife (PE)

,
O corte de 30% na verba das Universidades justificou-se pelo Ministro da Educação Abraham Weintraub pela “balbúrdia” nas instituições / Evaristo Sá/AFP

Em meio a absurdos como a negação da fome no Brasil, o retorno do trabalho infantil, a liberação massiva dos agrotóxicos e vários outros desmandos do governo Bolsonaro, a educação vem sendo um tema recorrente na agenda política de retrocessos, censura e sucateamento do presidente. Em oito meses de governo, os estudantes, professores, técnicos, profissionais terceirizados e qualquer pessoa que entende a importância da educação para uma nação vem temendo e lutando contra o risco real do fim da universidade pública como a conhecemos: um espaço de debate de ideias, de produção científica com relevância social e econômica e de formação não apenas de bons profissionais, mas de cidadãos e cidadãs comprometidos com o futuro do nosso país.

Talvez seja por isso que Jair Bolsonaro tem voltado suas armas físicas e simbólicas para o ensino superior e seus defensores. Ainda no início do governo, o corte de 30% na verba das Universidades Federais justificou-se pelo Ministro da Educação Abraham Weintraub pela “balbúrdia” que supostamente acontecia nos campi. Esse foi o abalo sísmico que moveu principalmente os estudantes, já que os cortes que variavam de 18% a 45% em cada Universidade eram destinados para o funcionamento básico das instituições, como as contas de água, energia elétrica, compra e conserto de equipamentos e empresas terceirizadas de segurança e limpeza, por exemplo. No estado, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) teve um corte de 55,8 milhões de reais e a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) deixaram de receber cerca de R$ 11 milhões.

Com essa demonstração pública de que a educação e a formação crítica são inimigas desse governo, nos dias 15 e 30 de maio, manifestações reuniram centenas de milhares de pessoas nas capitais do país e nas cidades do interior, especialmente as que têm algum campus universitário. O fato é que até agora foram cortados seis bilhões da educação. Como se isso já não fosse preocupante, o Future-se, que é na verdade um caminho de retrocesso, cria um fundo de investimento para que empresas privadas custeiem as Universidades. Como já sabemos, quem paga a banda, escolhe a música. As empresas que financiarão esse projeto estarão mais preocupadas em produzir pesquisa para o avanço da ciência e da tecnologia voltada para o país ou para elas mesmas, fazendo das universidades seus laboratórios particulares?

É no meio dessa guerra de terra arrasada que mais uma batalha vem sendo convocada pela União Nacional do Estudantes (UNE), associações docentes, movimentos populares e sindicatos. Todas as forças estão se direcionando para o dia 13 de agosto, quando o povo entra em campo para defender a universidade pública, que em tempo de cortes, censura e demonização da educação, vem resistindo contra as maldades e o obscurantismo de Bolsonaro. Se quisermos derrotar esse projeto maldoso e impor mais uma derrota a esse governo que vem aniquilando as poucas oportunidades que temos, o lugar de cada um e cada uma no dia 13 é na principal trincheira de luta contra o bolsonarismo: as ruas.

Edição: Monyse Ravenna