Saúde

Artigo | O impacto das escolas médicas na saúde da população do interior potiguar

Como a Escola Multicampi de Ciências Médicas da UFRN vem proporcionando o funcionamento do SUS no interior do RN

Brasil de Fato | Natal (RN)

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EMCM atende população de 167 municípios do estado / EMCM

Quando se pensa no interior do Rio Grande do Norte, é natural que alguns cenários saltem à mente com facilidade. Para muitos, a figura do sertanejo é a própria imagem do interior e pode se confundir com seu ambiente. Apesar de existir, essa personagem não é capaz de representar toda a população residente nos 167 municípios do estado e muito se deve levar em consideração ao lidar com uma população tão diversa. Sendo assim, torna-se um desafio não apenas levar saúde a todas essas pessoas, mas também compreender cada cidadão enquanto um ser que entende sua própria saúde de maneira diferente.

Em termos de assistência, o cenário precário dos interiores começou ser modificado no ano de 2014, quando, através da política de expansão das Escolas Médicas, o Governo Federal, valendo-se de uma das frentes do programa Mais Médicos, iniciou o processo de interiorização da Medicina. A ideia nasceu da crise iminente que se formava no país, em que as capitais tinham médicos além do necessário, enquanto alguns interiores ficavam desprovidos desses profissionais. A política pensada para resolver o problema tinha um objetivo simples: formar profissionais que tivessem vínculos com locais mais afastados dos grandes centros urbanos e que, portanto, pudessem firmar-se nos interiores.

No Rio Grande do Norte, esse movimento foi o responsável pelo nascimento da Escola Multicampi de Ciências Médicas – EMCM, um braço da UFRN no interior. Na prática, a presença da Universidade pública no interior significou inovação e mudança para a população, pois a EMCM foi criada com o intuito de utilizar Responsabilidade Social para modificar as fragilidades na rede de saúde e a garantir o bom funcionamento do SUS em seus locais de abrangência.

Após cinco anos do início da EMCM, a mudança é visível: a Escola hoje conta não apenas com a graduação, mas com programas de Residência Multiprofissional e Mestrado, que fornecem profissionais para os equipamentos de saúde; A Clínica-Escola, inaugurada em 2017, fornece atendimento especializado; hospitais e Unidades Básicas de Saúde foram aparelhados com instrumentos provenientes dos esforços da universidade; parcerias entre os campi da UFRN possibilitaram a criação de novos espaços de ensino, como o Laboratório de Plastinação para estudo da Anatomia Humana; e a presença do corpo discente gerou a necessidade de que houvessem encontros científicos periódicos, com a finalidade de discutir os próximos rumos da Saúde no interior.

Todas essas ações são parte de um projeto que tem como objetivo melhorar a qualidade de vida das pessoas que, historicamente, estiveram à margem do desenvolvimento. Para que esse caminho não seja interrompido, é preciso mostrar a dimensão da mudança já alcançada e priorizar que retrocessos sociais - a exemplo do contingenciamento nas verbas da educação e sucateamento paulatino do SUS - sejam vistos como um ataque direto aos direitos dos brasileiros, e uma forma de perda de todo o desenvolvimento alcançado até esse momento.

* Aline Caldas é estudante de Medicina na EMCM/UFRN.

 

Edição: Marcos Barbosa