Dia da Amazônia

Emitir gases no ritmo atual pode elevar temperatura da Terra em até 5º C

"Isso vai trazer danos aos nossos ecossistemas", avalia Paulo Artaxo, doutor em Física Atmosférica pela USP

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Dia da Amazônia é celebrado anualmente em 5 de setembro / Leonardo Medeiros / ICMBio

"Se nós continuarmos emitindo gases de efeito estufa como estamos emitindo atualmente, a temperatura média do planeta pode subir em 4 ºC ou 5ºC". O alerta é de Paulo Artaxo, doutor em Física Atmosférica pela Universidade de São Paulo (USP) e estudioso da Amazônia desde 1984. "Isso vai trazer danos aos nossos ecossistemas e danos a nossa estrutura socioeconômica", completou o pesquisador. 

Segundo o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a variação de 5º C é prevista até 2100.

O Dia da Amazônia é celebrado anualmente em 5 de setembro. A data foi criada com o intuito de conscientizar as pessoas sobre a importância da preservação da maior floresta tropical do mundo.

O aumento das queimadas e do desmatamento no bioma ganhou os noticiários nos últimos meses. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a área queimada na Amazônia no mês de agosto foi 300% superior ao mês passado.

Em entrevista à Rádio Brasil de Fato, Paulo Artaxo analisou os riscos desse cenário. “Nós estamos vendo no novo governo uma ação que é no sentido de destruição do meio ambiente, de incitação de destruição da região de terras públicas, como incentivo a garimpos em áreas de preservação ambiental”, disse.

Setembro é o mês que tradicionalmente registra o maior número de focos de incêndio no país. O pesquisador ressaltou a importância de dar condição de desenvolvimento econômico sustentável para a população que mora na região e investir no setor de fiscalizações.

“O Brasil tem que cumprir os seus compromissos internacionais dentro do protocolo de Paris”, ressaltou. “[Diminuir o desmatamento] É uma tarefa para este governo e para todos os brasileiros. É uma tarefa absolutamente estratégica para o país". 

Confira a entrevista em áudio.

 

Edição: Katarine Flor