Artigo

O bobo na linha de tiro

Na guerra comercial entre Estados Unidos e China, Brasil pode ser atingido

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Nessa guerra, se não se cuidar, o Brasil pode ficar como aquele bobo que está apenas assistindo a uma briga, mas é o primeiro a ser atingido / Divulgação

Quando o ex-presidente Lula assumiu a presidência, em 2003, o Brasil exportava cerca de 60 bilhões de dólares por ano. Ao final de seus dois mandatos, em 2010, eram mais de 200 bilhões. Boa parte desse crescimento veio do aumento do preço das commodities. Mas contou, e muito, a política de abrir-se para todo o mundo. 

A integração do Mercosul virou prioridade, foram conquistados mercados em vários países da África. No Oriente Médio se negociava com Israel e Irã, a China virou a maior compradora dos produtos nacionais, passando os Estados Unidos. Tudo em nome do pragmatismo e de fazer o País crescer. 

Neste ano, temos exatamente o contrário. Por conta de bobagens ideológicas e do alinhamento total aos Estados Unidos e Israel, perdemos mercados importantes. No Paraná, por exemplo, uma fábrica da BRF, em Carambeí, paralisou as atividades por conta da interrupção da exportação de carne de frango halal para países árabes depois de falas presidenciais desastradas. 

Mas há outros sinais preocupantes. De janeiro a agosto, as exportações brasileiras caíram 5,2% em relação ao ano passado. E as exportações no setor de alimentos tiveram queda de 8% em relação a 2018. Vale ressaltar que as vendas de soja pela China, nossa principal compradora, caíram 16% em volume, para 43 milhões de toneladas. 

Não dá para atribuir essas quedas apenas à política externa do governo Bolsonaro, mas num momento de guerra comercial entre Estados Unidos e China, não é inteligente ficar do lado contrário do nosso principal comprador. Nessa guerra, se não se cuidar, o Brasil pode ficar como aquele bobo que está apenas assistindo a uma briga, mas é o primeiro a ser atingido quando começa o tiroteio. 

 

Frédi Vasconcelos é jornalista e editor do Brasil de Fato-PR 

Edição: Laís Melo