Saúde

Casos de dengue aumentaram 599,5% no Brasil em relação a 2018

Thiago Henrique da Silva, médico de família e comunidade, atribui o aumento ao desmonte de políticas sociais no Brasil

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |

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Casos de dengue registram aumento de 599,5%, na comparação com 2018
Casos de dengue registram aumento de 599,5%, na comparação com 2018 - Agência Brasil

O Ministério da Saúde publicou nesta quarta-feira (11) um boletim epidemiológico que mostra que, entre dezembro de 2018 e agosto deste ano, foram registrados 1.439.471 casos de dengue em todo o país. Isso significa um aumento de 599,5%, na comparação com 2018.

Minas Gerais é o estado com maior número de ocorrências, com um total de 471.165. São Paulo aparece em segundo lugar, com 437.047 casos, e foi o estado no qual a doença mais cresceu -- mais de 3.000% no intervalo de um ano. Ainda de acordo com a pasta, 591 pessoas morreram este ano em decorrência da dengue

Thiago Henrique da Silva, que é médico de família e comunidade e integra a Rede de Médicas e Médicos Populares, afirma que, para entender a atual situação da dengue no Brasil, é importante analisar a falta de investimento na saúde, nos últimos anos.

“É fundamental a gente lembrar que o controle deste tipo de doença é feito pelo SUS [Sistema Único de Saúde]. Os agentes de saúde ambiental estão integrados ao grupo de atenção primária do SUS, no Brasil todo. Então, a gente tem uma redução no número destes profissionais com o desmonte do SUS que vem ocorrendo, nos últimos 3 anos. É importante que a gente lembre que o desmonte das políticas de saúde ambiental, a diminuição da distribuição de recursos para a atenção básica, isso acarreta que a gente não tenha aquele agente de saúde ambiental que vai lá fazer controle de foco da dengue. A gente não tem mais esse profissional atuando como deveria no território nacional”, explica.

Segundo Silva, “esse desmonte das políticas sociais acaba deixando a população muito mais vulnerável para as arboviroses, que não é só a dengue, mas entra também zika, chikungunya. Quando a pessoa acha que está com dengue ela precisa buscar um serviço de saúde para ter o diagnóstico para confirmar, até porque a dengue pode se assemelhar a uma gripe”, conta.   

Com o fim do programa Mais Médicos, em novembro do ano passado, mais de 8 mil médicos cubanos deixaram o país. Até janeiro deste ano, o Ministério da Saúde informou que 7.120 médicos brasileiros foram convocados para ocupar as vagas, mas, três meses depois, cerca de 1.052 haviam deixado seus postos. 

“Muitas vezes a gente sobrecarrega mesmo o serviço de saúde porque o desmonte também está acontecendo com a atenção primária. O [programa] Mais Médicos, que está sendo destruído por este governo Bolsonaro, e a gente tem visto várias unidades de saúde da família que não têm médico hoje no Brasil”.

Ele reforça a necessidade de esclarecer e relembrar a população sobre os principais sintomas da doença. “Principalmente muita dor de cabeça, febre, dor no corpo todo e depois que some a febre aparecem manchas no corpo. Esses são os principais sintomas”. 

A dengue é transmitida pela picada da fêmea do mosquito aedes aegypti e que para combater o mosquito é importante lavar, semanalmente, com água e sabão, recipientes como: vasilhas de água do animal de estimação e vasos de plantas. Além disso, é importante limpar regularmente as calhas e não deixar jarras, baldes com água ou garrafas destampados. As caixas d’água precisam ser fechadas com tampa e não deve descartar lixo em locais onde não há coleta, como em terrenos baldios. 

Confira no áudio a entrevista completa.

Edição: Tayguara Ribeiro