Festa popular

Cavalgada da Amizade reúne 500 cavaleiros em acampamento do MST em Ortigueira-PR

Mais de 2 mil pessoas participaram da festa na comunidade do MST Maila Sabrina, localizada no norte do estado

Curitiba (PR)

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Cavalgada teve mais de 500 cavaleiros e almoço com churrasco gratuito para cerca de 2 mil pessoas / Setor de Comunicação e Cultura do MST-PR

Uma cavalgada com mais de 500 cavaleiros e almoço com churrasco gratuito para cerca de 2 mil pessoas. Este é o resumo da que já é considerada uma das maiores cavalgadas populares da região norte do Paraná, realizada no acampamento Maila Sabrina, em Ortigueira, no último domingo (22). Homens, mulheres e também algumas crianças, vindos de diferentes municípios da região, se reuniram em marcha e tocaram seus berrantes. Vereadores e representantes das prefeituras da região também participaram da festa. 

Os preparativos começaram ainda de madrugada. Desde às 5h da manhã, a comunidade já trabalhava na organização do local e da alimentação para receber os convidados com comida caipira e bailão. “Nosso objetivo é reunir os amigos da comunidade para festejar e mostrar para a sociedade o nosso acampamento, como é organizado, como é bom de viver”, explica Jocelda Oliveira, integrante da coordenação do acampamento.

Sergio Oliveira, também da coordenação da comunidade, conta que a atividade busca manter uma tradição do povo camponês da região: “É um resgate das culturas antigas, do tempo em que nossos antepassados carregavam os suprimentos no lombo de cavalo e de burro. Essa cultura não pode morrer”. 

17 anos de resistência e produção

Cerca de 400 famílias estão acampadas na área desde 2003. O pedido de reintegração de posse foi emitido no mesmo ano e há disputa jurídica desde então, agora com uma nova ameaça de despejo. O território de 10.600 hectares era de devastação ambiental, pela produção de búfalo, sem cumprir os critérios de reserva legal. 

Em 17 anos de trabalho e construção da vida comunitária, a diversidade e a produtividade são as marcas da agricultura e da pecuária no acampamento. Em 2018, foram 108 mil sacas de soja e milho; 3 mil sacas de feijão; 286 toneladas de arroz, abóbora, batata e legumes em geral; 900 toneladas de mandioca; 35 mil caixas de tomate, 8700 animais, entre bois, cabritos, cavalos e porcos. A comunidade também dá exemplo de construção coletiva, como a Escola Itinerante Caminhos do Saber, a Lanchonete Maila Sabrina, diversas igrejas e uma Unidade Básica de Saúde.

Essa terra “significa a vida, significa tudo que nós temos”, afirma Sergio Oliveira. “Independente da decisão do judiciário, o que for, esse povo daqui não vai sair de jeito nenhum […]. O que nós sabemos fazer é plantar e produzir e levar alimento pra cidade. Estamos aqui em busca de um pedaço de terra que não faz falta pra quem era proprietário, mas pra nós significa muito. E vamos continuar aqui, produzindo, tendo amizade e companheirismo. E não vamos deixar essa região morrer que nem era, não vamos deixar virar tudo madeira”, disse Sergio, durante a abertura da festa.

Edição: Lia Bianchini