Qual o papel das ONGs na defesa do meio ambiente e da Amazônia?

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Segundo o Inpe, o número de queimadas na região amazônica triplicou, passando de 10.421 em 2018 para 30.901 em 2019. / Damião Amaral por Thiago Oliveira | Instituto Socioambiental
Elas atuam na defesa de comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas

Os incêndios florestais na Amazônia provocaram diversas manifestações em todo o mundo e uma grande revolta com o atual governo brasileiro.

Depois da pressão popular, o presidente Jair Bolsonaro acabou se pronunciando e atacou, sem provas, as ONGs, dizendo que elas são as principais suspeitas de serem responsáveis pelas queimadas na Amazônia.

No entanto, especialistas apontam que o crescimento no número de incêndios registrado no mês passado é resultado da ação humana e está diretamente ligado ao aumento nas taxas de desmatamento. O Brasil de Fato recebeu a pergunta da Gabrielly Silva, de Barueri (SP) que quer entender qual o papel das ONGs na defesa do meio ambiente e da Amazônia ?

Quem responde é Adriana Ramos , integrante do Programa de Política e Direito no Instituto Socioambiental (ISA), que atua na área do meio ambiente e na defesa dos direitos dos povos indígenas e comunidades tradicionais.

“No geral, as ONGs atuam em diversas frentes, seja desenvolvendo projetos para solucionar questões concretas de demanda das comunidades, seja promovendo denúncias e campanhas de conscientização ou atuando em conselhos e iniciativas que permitem a discussão de propostas de políticas públicas, de normas e regulamentos. Na área ambiental não é diferente, as organizações trabalham com campanhas de conscientização do meio ambiente, fazem incidência política para discussão das legislações e normas, participam dos conselhos e trabalham localmente desenvolvendo projetos, que muitas vezes servem como exemplos para as políticas que depois vão ser discutidas. Na Amazônia, muitas organizações atuam na defesa e implementação de áreas protegidas, no apoio das comunidades locais, sejam extrativistas, tradicionais, povos indígenas ou quilombolas, para desenvolver projetos de gestão desses territórios e contribuir com ações de uso sustentável da floresta e geração de renda. Elas também realizam pesquisas e estudos que demonstram a importância da floresta e da Amazônia para os povos que vivem nela e também, para pessoas de outras regiões do país. Muito do que se tem feito na Amazônia nos últimos anos, no sentido de desenvolver modelos alternativos de desenvolvimento com base no uso sustentável da floresta, tem a participação e o apoio de organizações não governamentais”. 

Edição: Michele Carvalho