Dia Nacional de Lutas em Defesa da Educação e do Petróleo

No Paraná, Universidade na rua promove diálogo com a população e grande ato unificado

Durante o dia estudantes, professores e técnicos realizaram exposição de trabalhos e denunciaram os ataques do governo

Curitiba

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Estudantes, professores e técnicos das Universidades públicas ocuparam as ruas ao longo de todo o dia para dialogar com a população / Giorgia Prates

O Dia Nacional de Lutas em Defesa da Educação e do Petróleo foi marcado por atos ao longo de todo o dia em Curitiba, na capital do Paraná. À noite, um grande unificado reuniu petroleiros, estudantes, professores, movimentos sociais e sindicatos, que se revezaram em falas denunciando os graves ataques do Governo Bolsonaro contra a soberania nacional. E, à tarde, as ruas centrais da cidade foram ocupadas pela comunidade acadêmica das universidades, como a Universidade Federal do Paraná e a Universidade Tecnológica Federal do Paraná, no que chamaram de “Universidade na Rua”, para dialogar com a população sobre a importância dos investimentos públicos para a continuidade de importantes pesquisas e projetos, além de serviços voltados para a sociedade.

Daiane, militante do Movimento dos Atingidos pelas Barragens (MAB) e estudante de Direito na UFPR, pelo projeto PRONERA, disse que sua participação no Ato Político, se deve a sua preocupação com a soberania do país. “Nós nos unimos ao Ato, para defender a educação e a soberania do nosso país. Defender nossas empresas, para que elas continuem públicas. E, aqui estamos também para denunciar o projeto Future-se, que é uma proposta de mercantilização da educação.”

Já a Professora Maira Tais, da UFPR Litoral, destacou a importância de se estar na rua para defender a educação. “Que possamos garantir a continuidade do ensino público. Uma educação que as pessoas possam acessar. O trabalhador precisa de alimento também do conhecimento. Estamos hoje aqui unidos a outras entidades e outros trabalhadores, todos numa luta só que é frear os ataques do governo.”

Cartazes confeccionados antes do Ato traziam denúncias, reivindicações e reflexões como “Brasil: ame-o, pesquise-o e transforme-o” e ainda “Educação desenvolve o pensamento crítico: isso te dá medo?”, além de outros com palavras de ordem como "Ocupar e Resistir" e "Educação não é mercadoria." Após as 20 horas, carregando cartazes, faixas e puxando palavras de ordem em defesa da Educação e das empresas públicas, os estudantes puxaram a caminhada que percorreu as principais ruas da cidade.

 

Universidade na Rua

No período da tarde, estudantes, técnicos e professores  ocuparam as ruas centrais próximas do centro de Curitiba,  para dialogar com a população, com  a exposição de trabalhos que são desenvolvidos. Um grande corredor de cartazes, banners e barraquinhas com inúmeros projetos de ensino, pesquisa e extensão foram expostos e realizados, como por exemplo, aula gratuita de matemática, exposição de fósseis pelo setor de Arqueologia, roda de conversa de Filosofia e orientações prestadas por estudantes de Enfermagem e Psicologia.  

Daniel Mittelbach, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação das Instituições Federais de Ensino Superior no Estado do Paraná – Sinditest-PR, disse que além dos técnicos também participarem da atividade, o objetivo foi o de denunciar os ataques do governo. "Estamos dialogando sobre os ataques à universidade. Denunciamos a proposta de corte na Lei do Orçamento de 2020. Falamos sobre a ameaça do Future-se de privatizar espaços da universidade. Estamos mostrando para a sociedade que a universidade não é o que o Ministro da educação diz que é. Não é balbúrdia, não é bagunça. Mas é um importante instrumento de desenvolvimento. Precisamos que a sociedade se some aos estudantes, aos técnicos, aos professores, na defesa da educação como um bem público e acessível a todos”, defende Mittelbach.

Na tarde do dia 02/10, primeiro dia da Greve de 48hs das Universidades, a Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná, (APUFPR), realizou uma intervenção pelos campus universitários, levando personagens de filmes de terror para marcar o que chamaram de “situação aterrorizante” pelo qual passam as Universidades. O professor Paulo Vieira Neto, presidente da APUFPR, explicou que a ação foi também para mobilizar a comunidade acadêmica. “Uma forma criativa de panfletar e dialogar com os nossos pares. E resultou em boas conversas e partir para a ação, que é o mais necessário agora.” Para ele, “é preciso também chegar nos representantes no Congresso, todas as forças políticas e chamar atenção da população para manter a Universidade Pública e a cidadania que sempre existiu.”

Edição: Redação