Comunidade de Heliópolis aprende sobre alimentação saudável com horta comunitária

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Momento Agroecológico

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Alunos do CEU Heliópolis trabalham na horta comunitária Imira CI / Débora Orellana
Horta comunitária é espaço para novas experiências e troca de conhecimentos

A palavra Imira Ci significa ‘mãe de todos’ em Tupi Guarani. Esta foi a expressão usada para nomear a horta comunitária do CEU, o Centro de Convivência Educativa e Cultural Professora Arlete Persoli.

O local abriga seis escolas públicas e fica em Heliópolis, um dos bairros mais populosos da Zona Sul da Capital Paulista. A comunidade acolhe pessoas vindas de diferentes regiões do Brasil.

O cultivo começou há cerca de um ano e levou mais vida para o local. Débora Orellana e Marisa Lima são funcionárias do CEU. Elas tiveram a ideia de fazer a horta em um local onde antes só havia um espaço vazio.

Coordenadora de Projetos Culturais da instituição, Débora conta que no início enxergou na horta uma maneira de falar com os alunos sobre alimentação saudável. "Uma das bandeiras que a gente coloca, quando a gente vai falar com as crianças, quando a gente chama as escolas, pra que se sintam parte deste projeto é a questão de não ter um alimento cheio de adicionais, cheio de venenos", diz. 

A coordenadora também explica que a ajuda da professora Marisa Lima foi essencial para dar os primeiros passos no cultivo das hortaliças, verduras e legumes."Eu aqui pegando muito a questão cultural, por que aqui na cultura a gente tem muito a questão das bagagens que cada um traz. E a questão técnica que veio do curso de nutrição da ETEC", lembra.

Apesar de a horta não ser muito grande, tudo o que é cultivado é utilizado pelas escolas. Os alunos de nutrição, por exemplo, usam as hortaliças nas aulas práticas.

O grande objetivo é inspirar alunos, professores e funcionários a também fazerem suas próprias plantações. É o que nos conta Débora. "Por que ela está para justamente incentivar para que cada um venha cultivar horta em casa."

Outra preocupação é fazer com que a horta seja uma construção coletiva. "Mas, a gente puxa muito a sardinha para que seja a questão coletiva, para que uma horta seja comunitária e justamente, diversas pessoas, de diversas idades, inclusive, possam se encontrar nessa horta e trocar conhecimentos", explica Débora.

Iniciativa busca valorizar o conhecimento e experiências da comunidade de Heliópolis / Foto: Débora Orellana.

Ela fala com orgulho e satisfação das cenas que se tornaram corriqueiras no local onde está a plantação. "Agora, se você sai aqui para caminhar no CEU, você vê as crianças da creche, ali em volta da horta observando. E tem o pessoal que sai daqui da aula de alongamento e dá uma passadinha ali para pegar uma hortelã, pra pegar alguma coisa pra ajudar no suco, um manjericão. E ali você sente a troca, as senhoras conversando com as crianças, rola de trocar uma receitinha ou outra entre as professoras e essas senhoras."

Fazendo jus ao nome, a horta Imira Ci ultrapassou os muros do CEU e conquistou também toda a comunidade no entorno. Débora conta que os moradores do bairro trazem todo o seu conhecimento e experiência para dentro da escola.

" A gente está em Heliópolis, a gente tem uma comunidade, boa parte que vem do Norte e Nordeste, então a gente traz histórias. Então, um pouquinho de tempo que a gente tem que estar lá, é que alguém tá mexendo, tá falando, olha, essa planta é medicinal, essa planta aqui pode ser usada de tal forma, lá na minha terra, a gente só se cuidava desse jeito e nós temos uma saúde muito boa, até hoje, graças a isso", comemora.

Além do trabalho de alunos, funcionários e moradores de Heliópolis, a horta também conta com a ajuda de uma assessoria em hortas pedagógicas. A empresa esteve presente lá no início do cultivo, ajudando na questão técnica e com dicas de como conseguir terra e mudas, e segue com o trabalho até hoje, de forma totalmente voluntária.

Edição: Katarine Flor