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Oposição segue PSOL e mantém posição contrária à federalização do caso Marielle

Parlamentares se manifestaram nesta quarta-feira (30) sobre possibilidade de PF e PGR assumirem as investigações

Brasil de Fato | Brasília (DF) |

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Parlamentares também questionam conduta de Moro frente ao caso
Parlamentares também questionam conduta de Moro frente ao caso - PSOL

Parlamentares da oposição declaram na tarde desta quarta-feira (30) posição contrária à possibilidade de federalização das investigações sobre os homicídios da ex-vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista, Anderson Gomes. 

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As declarações foram dadas momentos antes de o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) afirmar à imprensa que o relato de um dos porteiros do condomínio Vivendas da Barra -- que poderia envolver o presidente Jair Bolsonaro (PSL) no crime -- seria mentiroso. Na terça-feira (29), foi revelado que os investigadores no Rio haviam questionado o STF sobre a mudança de competência pela citação do nome do presidente da República em um dos testemunhos

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Marcelo Freixo (PSOL-RJ) cobrou a apuração dos mandantes do crime, mas defendeu que não há razão para que os procedimentos investigatórios sejam assumidos pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), afirmando que, “com todas as dificuldades” a Polícia Civil do Rio e o Ministério Público estadual chegaram aos executores dos assassinatos. 

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“Até hoje não temos resposta sobre quem mandou matar Marielle. Não estamos aqui para dizer quem é culpado e quem não é. Estamos aqui para exigir investigação. Nós todos somos contrários à federalização da investigação. Neste momento não há sentido”, afirmou. 

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Alessandro Molon (PSB-RJ), líder da oposição, ressaltou que a transferência do caso para a PF, que já foi aventada no passado, poderia significar uma brecha para que surjam obstáculos políticos à condução do caso. 

“Nós defendemos que a investigação continue nas mãos desses órgãos. Não aceitaremos qualquer interferência externa. Por exemplo, avocando-se o processo para a Polícia Federal. O pedido de Sérgio Moro para a PGR nos parece uma interferência indevida. O que defendemos é o básico: que a investigação prossiga sem pressão federal”, apontou. 

Mais cedo, o ministro da Justiça encaminhou à PGR um pedido de abertura de inquérito em que Jair Bolsonaro figuraria como vítima, apontando os crimes de falso testemunho e obstrução da Justiça, por conta do teor do relato e sua divulgação. A demanda foi encaminhada para o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro. 

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Mesmo antes da posição do MPRJ, a oposição entendia que Moro agiu como “advogado de defesa de Bolsonaro” e questionou a possibilidade de abertura de inquérito para averiguar o falso testemunho, tendo ele ocorrido ou não, antes da conclusão de um procedimento que corre sob sigilo.

Na opinião de alguns deputados, a medida pedida pelo ministro da Justiça pode abrir a possibilidade de pleno acesso às investigações por parte de órgãos federais. 

Edição: Rodrigo Chagas