Denúncia

Jornalista ficou dois dias preso nos EUA após defender embaixada venezuelana

Justificativa para prisão do repórter investigativo Max Blumenthal foi uma suposta agressão a uma cidadã venezuelana

Brasil de Fato | Caracas (Venezuela)

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Jornalista é autor de reportagens investigativas que comprometem o governo dos Estados Unidos / Reprodução/RT

Editor do site The Grayzone, o jornalista investigativo Max Blumenthal foi preso na última sexta-feira (25) por suposta agressão a uma cidadã venezuelana durante conflitos em frente à embaixada venezuelana nos Estados Unidos, ocorrida em maio desse ano. Depois de dois dias detido, o repórter foi liberado por falta de evidências do delito.

Blumenthal fez parte do Coletivo de Proteção da Embaixada da Venezuela em Washington, que defendeu a sede diplomática de ser apropriada pela equipe nomeada pelo deputado autoproclamado presidente Juan Guaidó este ano.  Ele garante que a acusação é falsa e que não foi apresentada nenhuma prova. Além disso, passados cinco meses da denúncia, o editor de The Grayzone nunca recebeu um intimação, tampouco teve acesso à ordem de prisão.

O jornalista foi preso pela polícia estadunidense numa operação envolvendo dez militares. Ele teria permanecido cinco horas com os pés e as mãos algemadas, sem direito a telefonar para um advogado. 

Quem é Max Blumenthal?

Natural de Boston, Max Blumenthal é um dos fundadores do portal de jornalismo investigativo The Grayzone, responsável por denúncias que levaram à renúncia do representante de Juan Guaidó no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ricardo Hausmann – economista, ex-ministro de Planificação e professor na universidade de Harvard.

Venezuelano, mas de formação estadunidense, Hausmann foi presidente do BID (1994-2000) e agora dá aulas na Escola de Governo John F. Kennedy. (Foto: El Nacional) 

Hausmann é diretor do Centro de Desenvolvimento Internacional, em Harvard, núcleo financiado pelo grupo Open Society, administrado bancos estadunidenses. O motivo do afastamento foi justamente o fato de não poder acumular o cargo de professor universitário e representante político – segundo os regulamentos da instituição. O opositor venezuelano teve de renunciar à sua cadeira no BID depois das denúncias de Anya Parampill, outra jornalista do The Grayzone.

Além disso, há três anos, o portal investiga as ações financeiras, políticas e militares ilegais promovidas pelos Estados Unidos em várias partes do mundo, incluindo a Venezuela.

Desde fevereiro de 2019, a equipe de repórteres viajou a Caracas para informar sobre a situação do país, há um mês da autoproclamação do deputado Juan Guaidó. Eles foram uma das primeiras vozes em defesa da Venezuela dentro da imprensa estadunidense.



 





Mais tarde, a equipe deu uma conferência nas Nações Unidas sobre a criação e propagação de fake news como tática para promover uma mudança de regime na Venezuela.





 



Em outras visitas, o grupo foi homenageado por participar do Coletivo de Proteção da Embaixada e entrevistou o presidente Nicolás Maduro. (Foto: MPPRE)

 

Caso fabricado

“Estas acusações são 100% falsas, fabricadas, falácias, fantasmas e uma mentira maliciosa”, afirmou Blumenthal nas redes sociais. Na data da suposta agressão a uma mulher, Blumenthal tentou entregar comida e produtos sanitários aos ativistas que dormiam na embaixada, cercados de policiais e militantes opositores venezuelanos, que impediam a entrada de mantimentos no prédio.

Em maio, Max e outros jornalistas reportaram os ataques de venezuelanos opositores contra a embaixada da Venezuela na capital estadunidense.





Os ativistas ocuparam o edifício diplomático para impedir que a estrutura fosse ocupada pela equipe nomeada por Guaidó e reconhecida pela administração Donald Trump, depois de romper relações diplomáticas com o governo de Nicolás Maduro.

A embaixada já havia sido esvaziada em março, depois da expulsão do corpo diplomático nomeado por Maduro.

O ministro de Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, reiterou a denúncia da injustiça contra o jornalista: “É insólito e perigoso que as autoridades dos Estados Unidos se prestem para intimidar e perseguir a imprensa independente”.





 

Em liberdade, Blumenthal acusa o governo dos EUA de perseguição. “Estou convencido que este caso faz parte de uma campanha de perseguição política de maior envergadura em que empregam o sistema legal para atacar nosso trabalho investigativo sobre o golpe contra a Venezuela e a política ampliada de guerra econômica e mudança de governos aplicada pela administração Trump”, finalizou o jornalista.

Até o momento, autoridades estadunidenses e representantes da oposição venezuelana não se pronunciaram sobre o caso.

Edição: Rodrigo Chagas