Depoimentos

Como o rompimento da barragem de Fundão segue afetando você?

Reportagem ouviu seis mulheres que tiveram suas vidas transformadas pelo crime da Vale em 2015

Brasil de Fato | Mariana (MG)

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Impactos do crime de 2015 continuam até hoje / Rogério Alves/TV Senado

Na semana em que o crime da Vale em Mariana (MG) completa quatro anos, o Brasil de Fato reuniu depoimentos de mulheres que, até hoje, têm suas rotinas afetadas pelo rompimento da barragem de Fundão.

Confira:

 



Maria do Amparo Freitas – Baguari (MG)

 

“Eu sou lavadeira, e a gente lavava a roupa no rio Doce. Desde quando a lama chegou não dá mais pra fazer isso lá, agora tenho que ir lavar lá no SAEE [Serviço Autônomo de Água e Esgoto] do rio Suaçuí, que é bem mais longe. Nas horas vagas a gente pescava e pegava uns dois ou três quilos de peixe por dia, por lazer e pra comer. Até hoje, não dá pra pescar mais”.

 



Sebastiana Rodrigues de Freitas - Baguari (MG)

 

“Eu pescava e tomava banho no rio todo dia, hoje não faço mais nada nele, afetou tudo. Perdi meu lazer, meu alimento e meu sustento também né? A gente olha o rio aí hoje e se pergunta: quando vai voltar? Se é que vai voltar…”

 



Yolanda Gouveia – Barra Longa (MG)

 

“O nosso sossego acabou. Não tem mais emprego, é tudo terceirizado por eles. Não tem liberdade pra andar na cidade mais, as coisas ficaram todas mais caras, aluguel, alimento… Eu pescava antes e hoje não pega nada lá. Além disso tem a poeira na rua, a minha casa que ficou toda rachada com os caminhões passando lá na porta e que até hoje eles não arrumaram”.

 



Carmem Gomes dos Santos – Periquito (MG)

 

“Eu vendia frutas e bolos na minha barraca e hoje não vendo mais nada porque perdi meus clientes. Os que conheciam o local da barraca já não param mais pra comprar. Depois do crime lá o trabalho acabou. Hoje não dou conta mais de sair na rua pra vender as coisas, tenho problema na coluna. Tenho dois netos pra cuidar e não tenho trabalho.”

 



Dayane – Conceição da Barra (ES)

 

“Sou pescadora de rio e mar e, até hoje, não conseguimos voltar a pescar. A Renova só me ignora, colocou no meu formulário que eu pescava só em rio, e em um rio que eu nem sei onde fica. Tenho três filhas e estou passando dificuldade sem a pesca”.

 



Ednalva dos Santos - Conceição da Barra (ES)

 

“Até hoje não incluíram o mar no meu cadastro de pescadora. Sou pescadora e preciso do meu sustento. Está cada vez pior a nossa situação, estamos sem trabalho e isso não pode ficar assim, não”.

 



 

 

Edição: Joana Tavares