Justiça

Revista "Veja" sofre nova derrota na Justiça por reportagem mentirosa

TJ-SP mantém direito de resposta a Alexandre Padilha por matéria mentirosa de "Veja" sobre parto de sua filha

Thássia Alves e Padilha com a filha Melissa e Lula, em dezembro de 2017: " Quando a verdade vence, todos vencemos" / Reprodução

 A revista Veja sofreu mais uma derrota na Justiça por veicular notícia falsa. O Tribunal de Justiça de São Paulo ratificou hoje (26) a condenação da revista a indenizar o ex-ministro da Saúde Alexandre Padrilha e sua mulher, Thássia Alves, alvos de “reportagem” mentirosa publicada em 2015, sobre as condições em que se deu o parto da filha do casal.

O texto assinado por Felipe Moura Brasil – conhecido por suas posições de extrema direita e apoiador do bolsonarismo – tinha como chamada “Farsa: Padilha turbina SUS para parto da filha! Petista dispensou plantonistas e chamou médicos de sua confiança”.

Na primeira ação a respeito do caso, o desembargador do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) Paulo Galiza determinou que Padilha e Thássia deveria ter direito de resposta a ser publicada no mesmo link da matéria fajuta, e que o texto reparador ficasse no ar pelo dobro do período em que as mentiras ficaram no ar (de 2015 até setembro de 2018). Posteriormente, o TJ-SP proferiu decisão liminar determinando a retirada da matéria do ar, tendo a resposta do casal ocupando o mesmo link, e pagamento de indenização de R$ 10 mil.

Agora, a determinação é reiterada em segunda instância por unanimidade – três votos a zero – pela Segunda Turma de Direito Privado do TJ-SP. A revista Veja ainda pode recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), de acordo com o advogado de Padilha e Thássia, João Vicente, que considera entretanto mais um vitória importante em defesa da verdade.

Para a jornalista Thássia Alves, a vitória ainda parcial vai além de sua família. “Essa vitória diz respeito à minha família, mas não é só nossa. Em tempos em que a mentira tem tanta potência e pauta a sociedade, quando a verdade vence, todos nós vencemos. Pessoalmente, é um pequeno reparo diante do horror de ver um momento tão sagrado quanto o nascimento de uma filha ser alvo de ataques, abusos e vilania”, afirma Thássia

Página de fake news como fonte

Padilha e Thássia divulgaram, em 2014, durante campanha do ex-ministro ao governo de São Paulo, que a filha do casal, Melissa, nasceria no Hospital Municipal Vila Nova Cachoeirinha. Thássia teve problemas no fim da gravidez e o parto teve de ser antecipado em um mês para não haver riscos para mãe e bebê. Melissa nasceu prematura e ficou alguns dias na UTI neonatal do Hospital da Cachoeirinha para ganhar peso.

O repórter da Veja inventou que Padilha teria levado uma equipe de médicos do Hospital das Clínicas, o que foi desmentido. Moura Brasil chegou a citar em sua matéria uma página de direita do Facebook como fonte. “(…) foi denunciado em nota da página Mais Médicos Fail no Facebook, segundo a qual o casal pretendia fazer a transferência do bebê para um hospital particular”.

A Justiça, na ocasião, reconheceu a mentira. “As testemunhas do autor são médicas que há muitos anos trabalham no hospital em questão e atuaram no parto e atendimento da esposa do autor e sua filha. Todas, de forma segura e coerente, sustentaram a versão do autor, ou seja, de que foi atendido pela equipe médica do hospital.”

“Verifica-se, assim, em juízo de cognição sumária, que a reportagem impugnada divulga fato sabidamente inverídico (fake news), porquanto se trata de notícia falsa revestida de artifícios que lhe confere aparência de verdade, de modo a justificar a concessão da liminar”, completava a decisão liminar.

Edição: Rede Brasil Atual