AGRICULTURA FAMILIAR

Movimento dos Pequenos Agricultores organiza primeiro encontro estadual no Rio

Evento acontece entre os dias 30 de novembro e 1º de dezembro, em Magé (RJ), e deve reunir 100 agricultores

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Além de definir o planejamento do MPA para 2020, o encontro tem o objetivo de pensar a criação de um sistema popular de abastecimento / Agência Brasil

No próximo final de semana, entre os dias 30 de novembro e 1º de dezembro, acontece em Magé, interior do Rio de Janeiro, o I Encontro Estadual do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). Além de definir o planejamento do MPA para o próximo ano, o encontro tem como objetivo pensar meios para a criação de um sistema popular de abastecimento que aproxime camponeses e trabalhadores urbanos e permita que se produza e consuma comida de verdade no estado. 

“Há seis anos, estamos recolhendo dados e percorrendo 15 municípios do estado, para debater principalmente sobre a produção, o uso de agrotóxicos e a agroecologia. Esse encontro é resultado desse trabalho. A ideia é fazer um balanço do que passamos nesses anos e também um planejamento para o próximo período. Está previsto cerca de 100 agricultores no encontro”, explica Humberto Palmeira, coordenador do MPA, em entrevista ao Programa Brasil de Fato RJ. 

O modo de organização proposto pelo MPA vai na contramão da configuração da produção agrícola no Brasil. De acordo com o Censo Agropecuário de 2017, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IPEA), o número de estabelecimentos que admitiram usar agrotóxicos aumentou 20,4% nos últimos 11 anos. Em relação aos estabelecimentos que declararam utilizar agrotóxicos, 73% tinham menos de 20 hectares de área de lavouras. 

O Censo também apontou que houve uma diminuição no número de estabelecimentos destinados à agricultura familiar. Em 2006, a agricultura familiar respondia por 84,4% dos estabelecimentos agropecuário, com um total de 4.367.902 de pessoas ocupadas. Já em 2017, a agricultura familiar passou a ocupar 10,1 milhões de pessoas, 67% do total de trabalhadores nos estabelecimentos agropecuários.

“No estado do Rio não foi diferente, também houve diminuição, a gente avalia que muito por conta das políticas colocadas em prática de 2016 para cá. O estado do Rio historicamente não produz o suficiente para consumir. Apenas 3% da população mora no campo, é um número baixíssimo. Também não há políticas do estado para agricultura familiar. É uma realidade de total abandono”, acrescenta. 

Pensando em contribuir para mudar essa realidade, o MPA atua no estado do Rio desde 2013. “Nosso trabalho vem se estruturando em torno desse debate do abastecimento, agroecologia, entrega dos alimentos direto dos produtores para os consumidores. Boa parte dos produtores que estão no movimento não possuem certificado de orgânico, mas produzem de forma agroecológica, sem veneno. Nossa tarefa é ajudar a organizar esses agricultores na relação também com a cidade”, conclui. 

*Entrevista: Denise Viola

Edição: Mariana Pitasse