LUTA

Especialista explica a diferença entre HIV e AIDS e quais os métodos de prevenção

Em dezembro, ações em todo o mundo visam esclarecer a respeito do tema com o Dia Mundial de Combate à AIDS

Brasil de Fato | Recife (PE)

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Kariana Guérios é advogada e moembro da ONG Gestos - Soropositividade, Comunicação e Gênero / Reprodução/YouTube

O Dia Internacional da Luta contra a AIDS é lembrado em 1º de dezembro. A data tem como objetivo conscientizar a população sobre os sintomas, perigos e formas de prevenção, além de auxiliar no combate ao preconceito que os portadores de HIV - Vírus Humano de Imunodeficiência - sofrem na sociedade. Sobre isso, o Brasil de Fato conversou com a advogada Kariana Guérios, da Gestos - Soropositividade, Comunicação e Gênero.

Brasil de Fato Pernambuco: O que é HIV? E Aids?

Kariana Guérios: O HIV é a síndrome da imunodeficiência. Se ele não for tratado, ou seja, se as pessoas não fizeram o teste e não descobrirem que estão com HIV, pode causar a AIDS, que é a síndrome da imunodeficiência adquirida. Essa síndrome é quando as defesas da pessoa estão baixas e a pessoa fica propensa a contrair uma série de doenças oportunistas. Geralmente, as pessoas são acometidas por tuberculose, neurotoxoplasmose ou citomegalovírus. Quando a pessoa apresenta o conjunto dessas doenças, ela é considerada como alguém que tem AIDS.  É possível uma pessoa ter o HIV e, se não se cuidar, desenvolver a AIDS e, ao desenvolver a AIDS, se cuidando, voltar a ter apenas o HIV. Então, a diferença entre o HIV e a AIDS é o conjunto de doenças que a pessoa desenvolve

BdF PE: Qual a importância do Dia Mundial de Luta contra a AIDS?

KG: É um dia muito importante para visibilizar as lutas e as resistências e mostrar que já ocorreram muitos avanços na política de AIDS no Brasil e no mundo, mas que, falando de Brasil, estão ocorrendo muitos retrocessos. Ao ponto de que as pessoas vivendo com HIV no Brasil - onde o programa de AIDS foi reconhecido como modelo no que se refere ao cuidado e políticas públicas para as pessoas com HIV - hoje é um retrocesso muito grande. A epidemia tem aumentado entre jovens e infelizmente tem faltado, inclusive, os antirretrovirais, faltam medicamentos para doenças oportunistas. Tem, também, o retrocesso enorme com relação ao mercado de trabalho, as pessoas não estão conseguindo acessar postos em decorrência de preconceito e discriminação. É um retrocesso enorme com relação à questão das políticas sociais e também previdenciárias, em que as pessoas estão perdendo seus benefícios previdenciários, suas aposentadorias e seus auxílio-doença.

O 1º de dezembro é uma data forte, principalmente por estarmos neste contexto que a gente tá vivendo, de retrocessos, é importante a gente visibilizar essas questões e denunciar o quanto todas essas perdas de direitos estão impactando na vida das pessoas vivendo com HIV.

BdF PE: Quais os métodos de prevenção?

KG: Hoje em dia, tem se falado sobre o método de prevenção combinada que, de forma junta conjunta, podem fazer com que a prevenção se torne mais eficaz. Um dos métodos é a questão dos preservativos, masculino e feminino, um método bastante eficaz porque não só evita uma HIV e AIDS, mas também outras infecções, como Hepatite C, HPV, gonorréia e tantas outras. Tem, também, o gel lubrificante, que evita, na hora da relação, as fissuras, caso as pessoas estiverem ressecadas que às vezes pode provocar fissura e sangramento. Se isso acontecer, possível haver a transmissão por conta do contato com o sangue. Há outra forma de prevenção, que são as imunizações para Hepatite C e o HPV. Ainda existe a transmissão vertical que é a transmissão de mãe para filho, relação ao HIV e AIDS, e para isso, uma das formas de prevenção é que no pré-natal essa mãe já realizar um exame do HIV e, se for verificado que essa mãe ela é soropositiva, fazer o tratamento, utilizar os antirretrovirais prescritos pelo médico. Por que se a mãe a que é soropositiva fizer o tratamento da forma correta a chance do feto positivar é de menos de 1%. Também existem a Profilaxia Pré-Exposição (PREP) e a Profilaxia Pós-Exposição (PEP). A PREP não é para todo mundo, só alguns públicos chaves podem fazer uso. Em Recife, só uma unidade de saúde está disponibilizando, no Oswaldo Cruz. Mas, precisa ter muito cuidado, porque a PREP só previne HIV, as outras infecções não. Já a PEP, serve para, em caso de relação desprotegida, a pessoa ir nas unidades de saúde, em até 72 horas [após a relação] e tomar o medicamento por 28 dias. 

BdF PE: Existem direitos específicos para esta população que vive com HIV e Aids?

KG: Existe, na verdade, os mesmos direitos que qualquer um cidadão e cidadão, mas em 2014, por conta de de várias discriminações de vários problemas que a comunidade vivendo com HIV estava sofrendo, foi publicada a lei 12984/2014, que é uma lei que constitui crime com reclusão de um a quatro anos condutas discriminatórias contra o portador de HIV e doentes de AIDS. Se uma empresa ou a pessoa teve atitude de discriminação, pode ser punida.

Edição: Marcos Barbosa