Conflito

"Guerra psicológica", diz Irã sobre versão da mídia dos EUA no caso da queda de avião

O porta-voz negou as especulações sobre a possibilidade de um míssil ter atingido a aeronave

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Equipes recuperam destroços de avião que caiu em Teerã / AFP

O general Abolfazl Shekarchi, porta-voz das forças armadas iranianas, descreveu as reportagens da mídia ocidental sobre o acidente com Boeing 737-800, que caiu em Teerã na última terça-feira (7) com 176 pessoas, entre tripulantes e passageiros, como parte da "guerra psicológica" dos norte-americanos e dizendo que essas versões são "ridículas".

“A maioria dos passageiros deste avião eram jovens iranianos inestimáveis; tudo o que fazemos visa a defender a segurança de nosso povo e país ", afirmou. O general Shekarchi chamou ainda os rumores de que o avião teria sido derrubado em razão do disparo de um míssil do sistema de defesa iraniano de "mentira absoluta", que "nenhum especialista militar e político confirmaria".

A embaixada ucraniana no Irã também descartou a possibilidade de um ataque ao avião.

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Revista americana

Uma reportagem publicada pela revista norte-americana Newsweek nesta quinta-feira (9) afirmou que a queda do avião ucraniano ocorreu após o voo ser atingido por um míssel do sistema antiaéreo iraniano. 

A informação é creditada pela revista a uma fonte do Pentágono, a uma autoridade sênior de inteligência dos Estados Unidos e uma autoridade iraquiana. A avaliação do Pentágono seria de que o incidente foi acidental. Segundo a reportagem, nenhum dos funcionários foi autorizado a falar publicamente sobre o assunto.

A reportagem diz ainda que o Boeing 737-800 da Ukraine International Airlines parou de transmitir dados apenas alguns minutos depois de decolar e depois de o Irã lançar mísseis em bases militares que abrigam forças aliadas dos EUA e do Iraque. 

De acordo com a Newsweek, possivelmente a aeronave tenha sido atingida por um sistema de mísseis terra-ar Tor-M1, de fabricação russa, conhecido pela Otan como Gauntlet. 

As fontes disseram ainda à revista que os sistemas antiaéreos do Irã provavelmente estavam ativos após o ataque com mísseis do país, que veio em resposta ao assassinato dos EUA na semana passada do comandante da Guarda Revolucionária Quds Force, general general Qassem Soleimani, num ataque ao aeroporto de Bagdá, capital do Iraque.

Em uma coletiva de imprensa em Otawa nesta quinta-feira (09/01), o primeiro ministro do Canadá, Justin Trudeau, também afirmou acreditar que o acidente possa ter sido em razão do acionamento do sistema de defesa antiaérea do Irã. Ele disse ainda que acredita que a queda do avião decorreu de um fato não intencional e que é preciso aprofundar a investigação sobre o caso. "Isso pode ter sido acidental", afirmou Trudeau. "É extremamente importante que haja uma investigação completa", disse. 

O primeiro ministro afirmou que as evidências sobre o acidente sugerem que a provável causa do acidente está relacionada aos conflitos entre EUA e Irã. “Estou disposto a conversar com todos que tiverem respostas", concluiu Trudeau. 

Colaboração conjunta

Em conversa telefônica com o presidente iraniamo Hassan Rouhani, nessa quinta-feira, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky pediu uma colaboração conjunta entre as equipes técnicas dos dois países para investigar as causas do acidente. 

Rouhani afirmou que ordenará ao Ministério de Desenvolvimento Urbano e Rodoviário que forme uma equipe conjunta composta por especialistas dos dois países para determinar com precisão as causas do incidente, dizendo que a investigação seguirá as regras da International Civil Aviation Organization (ICAO).

Eles também concordaram que haja uma interação entre os Ministros de Relações Exteriores para facilitar a cooperação entre os especialistas dos dois países na análise das causas do incidente, afirmou a notícia da agência iraniana IRNA. Os dois presidentes também enfatizaram a necessidade de aprofundar os laços em todos os campos.

Edição: Opera Mundi