SEM ACORDO

Justiça determina redução das barcas que ligam Ilha de Paqueta ao Rio

Nova grade de horários e menos viagens passam a valer dia 25, mas moradores devem recorrer

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Moradores da ilha protestaram em frente à CCR Barcas e seguiram para o Tribunal de Justiça nesta quarta (15) / Associação de Moradores de Paquetá (Morena)

Sem acordo com os moradores, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) decidiu nesta quarta-feira (15) manter a nova grade de horários proposta pela Secretaria de Estado de Transportes e aceita pela concessionária CCR Barcas. A proposta prevê a retirada de seis horários da grade durante a semana e treze horários dos finais de semana. As barcas são o único meio de transporte que ligam a ilha-bairro ao continente

A ideia de mudar o itinerário passando por Cocotá, chamada de triangulação, foi derrubada e permanecem as viagens diretas. A nova grade será implementada no dia 25 de janeiro, mas ainda há possibilidade de ajuste nos horários sem alteração no número de viagens até sexta-feira (17). Os moradores da ilha temem impactos nos serviços básicos de saúde e educação, prejuízos para diversos trabalhadores e profissionais autônomos e estudantes que dependem do transporte diariamente além do turismo.  

"O povo de Paquetá tem todo motivo pra ficar indignado, mas não de baixar a cabeça. Ao contrário, temos que ter orgulho de ter travado esse luta, feito assembleias inéditas com 500 moradores. A luta não termina aqui, vamos usar essa indignação para alimentar a mobilização de um novo ciclo onde vamos discutir formas jurídicas com a Defensoria e advogados e, principalmente, estratégias de mobilização. Nossa luta também é por um serviço de qualidade", disse Guto Pires, vice-presidente do Conselho Comunitário de Segurança.

Mobilização

Durante a tarde desta quarta (15), dezenas de moradores da ilha se manifestaram em frente à CCR Barcas, na Praça XV, contra as mudanças de horário. Entre as palavras de ordem, "Respeita Paquetá". Faixas e cartazes denunciavam o caráter autoritário da mudança. A próxima assembleia de moradores da Ilha de Paquetá acontece nesta quinta-feira (16) para decidir os próximos passos.  

"A mudança de horários é muito grave para os serviços que funcionam aqui, os trabalhadores tanto que vem quanto os que vão para o Rio, estudantes, pessoas que fazem tratamento de saúde, sofrem infarto, AVC, é através da barca que vão para o continente. Dependemos da barca para tudo, vamos ver como sobreviver nessa situação porque os serviços vão ser desmontados", avalia Ialê Falleiros, diretora da Associação de Moradores de Paquetá (Morena).

Em Paquetá, a concessionária CCR Barcas instalou um avisou no qual justifica que a implementação de "medidas operacionais" tem o objetivo "adequar a oferta à demanda". 

Moradores da Ilha de Paquetá protestaram com cartazes contra mudanças de horários nas barcas. (Foto: Associação de Moradores de Paquetá (Morena) 

Edição: Eduardo Miranda