Mais Médicos

Depois de saída dos cubanos, falta médicos em cidades paranaenses

Maioria dos profissionais brasileiros desiste de vagas no interior e optam pelas capitais

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Governo informou que existem 130 vagas em aberto ainda em 73 municípios paranaenses.
Governo informou que existem 130 vagas em aberto ainda em 73 municípios paranaenses. | Crédito: Reprodução

Com o encerramento do Programa Mais Médicos que trouxe profissionais cubanos para o Brasil, muitos municípios do interior do Paraná encontram-se atualmente sem um médico para atendimento. A reposição chegou a ser feita, porém, a maioria dos médicos brasileiros desistiu, optando por buscar vagas nas Capitais.

A deputada estadual Luciana Rafagnin (PT), por meio de um pedido de informações, solicitou ao Governo do Paraná dados sobre quantos médicos cubanos atuavam no Estado e como foi feita a reposição, após o encerramento pelo Governo Bolsonaro, do convênio com Cuba. Em resposta, o governo informou que existem 130 vagas em aberto ainda em 73 municípios paranaenses. Luciana chegou a realizar uma audiência, em julho deste ano, para discutir a situação da saúde pública no Paraná, identificando inúmeros problemas, entre eles a falta de profissionais para atendimento nas unidades de saúde básica. “Enquanto o presidente diariamente fala bobagens e de forma equivocada cancelou o convênio com Cuba que vinha sendo exitoso, a população sofre com a falta de médicos,” diz Luciana.

Para o Brasil de Fato, a Secretaria de Saúde do Paraná (SESA), por meio da assessoria de imprensa, disse que “foram abertas para reposição 458 vagas que eram ocupadas por cubanos, em 185 municípios e 06 Distritos Sanitários Especiais, e foram repostos nos meses de dezembro e janeiro 100% das vagas, porém parte dos profissionais que aderiram ao programa saiu, e destes, continuam ativos e trabalhando 381 profissionais.” Para resolver o déficit de médicos, a Secretaria, em nota, informou que “aguardam a finalização do Edital do governo federal para adesão e renovação do Programa Mais Médico pelos municípios.”. 

Médicos desistem de trabalhar no interior 

Outro agravante da falta de médicos é que a maioria dos profissionais opta pelas capitais, deixando desassistidos os municípios do interior.  Curitiba concentra 45,9% dos médicos existentes no Paraná. São 10.867 médicos atuando na capital contra 12.794 profissionais no restante do Estado, o que é desproporcional quando comparada com o número de pessoas. A população estimada de Curitiba é de 1.908.359 (17,22%), e no restante do Estado, são 9.171.641 habitantes. (82,77%) Estes são dados da pesquisa “Demografia Médica 2018”, realizada pela USP, estudou a relação de médicos brasileiros distribuídos nos capitas e cidades do interior.

O Brasil de Fato procurou o Conselho Regional de Medicina (CRM-PR) para saber a posição a respeito do déficit de médicos no Paraná. Em nota, o CRM disse que “o entendimento do Conselho de Medicina do Paraná é de que não há falta de médicos no Estado, mas uma má distribuição dos profissionais por vários fatores, que vão de falta de condições/precariedade do trabalho e das relações contratuais à inexistência de política efetiva de fixação nos vazios assistenciais.” O CRM defende “a criação de uma carreira de Estado na área médica, a exemplo do que existe na magistratura e ministério público, é um pleito das entidades médicas, entendendo assim um processo mais transparente de graduação e perspectiva de ascensão profissional. Neste aspecto, estamos a falar de sistema público de saúde.”

No País, as capitais das 27 unidades da federação reúnem 23,8% da população e 55,1% dos médicos. Em síntese, mais da metade dos registros de médicos em atividade se concentra nas capitais, onde mora menos de um quarto da população do País. A média das 27 capitais é de 5,07 médicos por mil habitantes. No interior, esse índice é 1,28, ou seja, 3,9 vezes menor. (dados da pesquisa “Demografia Médica 2018”, realizada pela USP). 

 

Editado por: Laís Melo
Grupos de Trabalho da APUFPR

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