Segurança

Pesquisa indica que alimentos e produtos de higiene não estão chegando aos presos

De acordo com a Pastoral Carcerária, 20,4% dos entrevistados do estudo sabem de casos confirmados de covid-19 nas

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |

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Pastoral Carcerária quer que governos divulguem dados sobre contaminação por coronavírus no sistema carcerário. “Se há mais casos, é impossível saber sem a divulgação destas informações oficiais" - Christiano Antonucci

Pesquisa divulgada pela Pastoral Carcerária revela que os alimentos e produtos de higiene, levados por familiares de presos, não entram nas penitenciárias. Do total de 1.213 pessoas que responderam ao questionário da entidade, 793 (65,9%) afirmam que os itens não chegam na mão dos internos. Para 304 (25,2%) o trânsito de mercadorias está normal e 107 (8,9%) não souberam opinar.

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A pesquisa foi feita em todo o país com familiares de presos, membros da Pastoral Carcerária, agentes penitenciários, técnicos do sistema prisional, advogados e juízes durante três dias, a entidade não precisa as datas em que o questionário foi aplicado. O resultado, divulgado no dia 3 de abril, é a primeira parcial do estudo, que deve ser detalhado nos próximos dias.

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De acordo com o levantamento da Pastoral Carcerária, o número de presos contaminados com coronavírus pode ser maior. Isso porque, 245 pessoas (20,4%) afirmam saber da existência de pessoas contaminadas dentro do sistema penitenciário, enquanto que 222 (18,5%) declaram não ter conhecimento de casos nas unidades. Os que não souberam opinar são 736 (61,2%).

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A Pastoral Carcerária lamenta a falta de comunicação e de precisão sobre os dados de presos contaminados com coronavírus. “Se há mais casos, é impossível saber sem a divulgação destas informações oficiais, já que os órgãos fiscalizadores estão muito mais ausentes por conta da pandemia para poder inspecionar as prisões; e sem saber o que acontece atrás dos muros em relação à prevenção, organizações de direitos humanos e familiares não conseguem cobrar que medidas de prevenção e protocolos de saúde sejam aplicados efetivamente.”

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Em relação às visitas durante a pandemia, 1.189 pessoas (98,4%) afirmam que não conseguem visitar os presos nas unidades. Apenas 7 (0,6%) disseram que a visitação segue normalizada e outros 12 (1%) não conseguem precisar.

Edição: Rodrigo Chagas