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RS tem 762 casos confirmados, mas estudo estima mais de 5 mil infectados

Governador flexibilizou medidas de isolamento, exceto nas regiões de Porto Alegre e Caxias do Sul

Brasil de Fato | Porto Alegre (RS) |
UFPel realizou pesquisa inédita demonstrando subnotificação dos casos no RS - Assessoria de Imprensa UPF / Divulgação

Conforme o boletim divulgado pela Secretaria Estadual da Saúde (SES), na tarde desta quarta-feira (15), o número de casos confirmados de coronavírus no Rio Grande do Sul subiu para 762. Mais cedo, havia confirmado a morte do 19º paciente do Estado. Trata-se de um homem, residente em Serafina Corrêa. Com 63 anos e portador de pneumopatia crônica, estava internado no município de Bento Gonçalves desde 13 de março.

Casos de covid-19 já são oficialmente registrados em 91 municípios gaúchos. Porto Alegre reúne a maioria dos casos, com 350 pacientes confirmados. Em seguida, aparecem Caxias do Sul (37 casos), Bagé (28 casos), Passo Fundo (27 casos) e Novo Hamburgo (26 casos).

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Estudo da UFPel projeta mais de 5 mil casos no Estado

Também nesta quarta, em transmissão ao vivo realizada pelo governador Eduardo Leite, foram apresentados os primeiros resultados do estudo de mapeamento do coronavírus no Estado, intitulado EPICOVID19, realizada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Conforme o reitor da instituição, Pedro Curi Hallal, que participou da coletiva via internet, a análise feita por amostragem mostra que a cada caso confirmado, existem quatro pessoas infectadas sem notificação.

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Dessa forma, ao invés dos cerca de 700 casos confirmados, o estudo estima que o número real de pessoas infectadas no Estado é de 5.650. As projeções levam em conta o resultado de 4.189 testes aplicados em nove cidades de diferentes regiões e apontam para uma relação de um caso para cada grupo de 2 mil habitantes. “A pesquisa ainda se baseia numa amostragem pequena, o que exige maior cuidado com interpretações sobre as estimativas. Nas próximas rodadas teremos um cenário mais claro”, ponderou o reitor.

A pesquisa também verificou que 20,6% das pessoas seguem saindo de casa diariamente, 21,1% das pessoas estão em casa o tempo todo e 58,3% estão saindo apenas para atividades essenciais como ir ao supermercado e farmácia. Entre os idosos de 60 anos ou mais, 35,9% relataram ficar em casa o tempo todo.

De acordo com Hallal, a tendência é que os números aumentem nas próximas fases, mas a velocidade deste aumento dependerá das medidas de distanciamento social. “A primeira fase da pesquisa veio na hora certa, enquanto a pandemia está em fase inicial no estado”, conclui. Para o reitor, as políticas públicas adotadas se baseiam apenas na ponta do iceberg. “Os casos que chegam ao sistema de saúde, que acabam sendo testados, especialmente as pessoas com sintomas mais graves, escondem todo o restante do iceberg que está submerso e que é tão necessário para enfrentarmos a epidemia de forma adequada”, destacou.

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Nas próximas semanas, o estudo terá mais três etapas no Estado. Após concluída, o Ministério da Saúde vai estender para todo o Brasil. Mais de 30 mil pessoas serão testadas a cada duas semanas no país, em 133 municípios. Os dados possibilitarão projeções sobre o avanço da doença, verificar as regiões mais atingidas pela pandemia e planejar as medidas de contenção pretende estendê-la.

A pesquisa mobiliza uma rede de 11 universidades federais e privadas: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade Federal do Pampa (Unipampa/Uruguaiana) e Universidade de Caxias do Sul (UCS), Imed Passo Fundo, Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS/Passo Fundo) e Universidade de Passo Fundo (UPF). O estudo tem um custo estimado em R$ 1 milhão e tem o apoio da Unimed Porto Alegre, do Instituto Cultural Floresta, também da capital gaúcha, e do Instituto Serrapilheira, do Rio de Janeiro.

Números da pesquisa:

• Para cada 1 milhão de habitantes no RS, estima-se que existam 500 infectados reais, 65 notificados e 1,2 óbito.

• Para cada caso notificado nas nove cidades da pesquisa, existem cerca de quatro casos não notificados.

• No dia 1° de abril, o RS tinha 384 casos confirmados. O resultado da pesquisa demonstra que o contágio é 15 vezes o número de casos confirmados ou 11 vezes o número de casos coletados.

Leite prorroga restrição ao comércio parcialmente


Governador apresentou estudo e novo decreto na tarde desta quarta-feira (15) / Gustavo Mansur / Palácio Piratini

O estudo foi apresentado pelo governo no dia em que vencia o decreto estadual que estabeleceu medidas de distanciamento social. Com base nos dados apresentados, o governador optou por um meio termo na prorrogação das restrições para o funcionamento de estabelecimentos comerciais. O novo decreto, válido até 30 de abril, permite que municípios autorizem a abertura do comércio, com exceção dos municípios das regiões metropolitanas de Porto Alegre e da Serra Gaúcha, desde que baseadas “em evidências científicas e em análises sobre as informações estratégicas em saúde”, disse Leite. Também devem cumprir os requisitos mínimos estabelecidos pela SES, como a proibição de aglomerações e a fixação de número máximo de clientes no interior dos ambientes.

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O novo decreto do governo também amplia o funcionamento das lojas de conveniência dos postos de combustível. Conforme o decreto de 1º de abril, os estabelecimentos que ficavam fora de estradas tinham horário limitado, entre 7h e 19h. Agora, poderão funcionar em todo o território estadual, em qualquer localização, dia e horário.

De acordo com o governador, o Estado entra em uma nova, “um modelo de distanciamento controlado que vai servir de parâmetro para gestão de risco da epidemia”, e novas medidas de restrição ou permissão de serviços e circulação de pessoas no Estado poderão ser publicadas. Dependem dos novos estudos e dados coletados, levando em conta o avanço do contágio de coronavírus entre a população, a estrutura de atendimento de saúde e a economia gaúcha.

Como ajudar a quem precisa?

A campanha “Vamos precisar de todo mundo” é uma ação de solidariedade articulada pela Frente Brasil Popular e pela Frente Povo Sem Medo. A plataforma foi criada para ajudar pessoas impactadas pela pandemia da covid-19. De acordo com os organizadores, o objetivo é dar visibilidade e fortalecer as iniciativas populares de cooperação.

Como tirar dúvidas

A Secretaria Estadual da Saúde recomenda à população e aos profissionais de saúde do RS que entrem em contato com a vigilância epidemiológica de seu município para esclarecimento de dúvidas. Nos horários que as repartições municipais não estiverem atendendo ao público, está disponível o telefone 150 - Disque Vigilância. Questionamentos podem ser encaminhados também para o email [email protected]

 

Fonte: BdF Rio Grande do Sul

Edição: Marcelo Ferreira