Solidariedade

Em ação nas periferias, MST doa mais de 800 kg de alimentos a famílias da Paraíba

Na Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária, sem-terra entregam produtos a mães de crianças com microcefalia

Brasil de Fato | João Pessoa (PB) |
Além do MST, outros movimentos populares participaram da ação de solidariedade - Reprodução

Em torno de 800 kg de alimentos produzidos pelos assentamentos e acampamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na Paraíba foram doados a famílias que estão em quarentena em bairros da periferia de João Pessoa e outras cidades da região metropolitana.

Macaxeira, melancia, mamão, batata doce, abacaxi e feijão verde foram alguns dos alimentos vindos dos acampamentos Arcanjo Belarmino e Wanderlei Caixe, localizados em Pedras de Fogo, e Dom José, em Alhandra. Além de produções dos assentamentos Nova Vida e Primeiro de Março, no município de Pitimbu, e Ouro Verde, em Caaporã.

Os sem-terra do estado também entregaram alimentos nas cidades de Mari e Campina Grande, onde foram distribuídos 900 litros de leite.

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“Nós estamos trabalhando, neste momento, a solidariedade do campo com a cidade e dizendo para a sociedade que não temos outro caminho, ou nós democratizamos a terra e as riquezas, taxamos as grandes fortunas, ou, do contrário, nós não conseguiremos ter um país digno, vidas dignas", afirma Dilei Schiochet, dirigente do MST na Paraíba.

As ações de solidariedade ocorrem durante a Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária, que acontece anualmente no mês de abril em memória dos trabalhadores rurais sem-terra assassinados no Massacre de Eldorado do Carajás, no Pará, em 1996.

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Hoje, 24 anos após esse crime, a situação de miséria do povo brasileiro ainda se faz presente, como recorda Schiochet. "O que é visível são as periferias com fome, o povo em permanente reivindicação por comida e a gente começa a perceber que não tem política, que o índice de desemprego é enorme, que a miserabilidade nas periferias das cidades nos dá um sentimento de desumanidade. Prestar a nossa solidariedade é dizer que quem ajuda, quem é solidário, são aqueles que pouco têm. Vejamos até na humanidade, quem sempre foi solidário foram os países que menos têm, a exemplo de Cuba, são países que têm outros sistemas, o sistema ligado à vida, à sociedade. Portanto, esse momento de pandemia é um momento de lutar com um instrumento: a solidariedade, e esse é um instrumento que podemos ter nesse momento histórico”, declara.


Melancias doadas pelo MST / Reprodução

Parceria com mães

Cerca de 70% dos alimentos doados pelos sem-terra foram direcionados para as mães de filhas e filhos que têm microcefalia. As famílias que estão recebendo as doações estão em situação de vulnerabilidade, com renda reduzida por causa da quarentena e com necessidades alimentares. As mães que receberam os alimentos estavam, inclusive, organizando uma campanha pedindo doações de leites, fraldas, produtos de higiene infantil, álcool em gel, máscaras e cestas básicas.

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Elas criaram uma entidade chamada Associação Mães de Anjos da Paraíba (Amap) e também estão disponibilizando uma conta da Caixa Econômica Federal (número: 34291-1; Agência: 3487CNPJ: 28.602.679/001-08, identificada como Associação F E Crianças), para doações em dinheiro.

Além de receber os alimentos doados pelo MST, as mães da AMAP também receberam 125 litros de leite da campanha do Ministério Público Federal junto a movimentos populares chamada Leite Fraterno. O alimento é produzido por agricultores familiares da região do Cariri paraibano.

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A campanha Leite Fraterno também entregou 900 litros de leite ao Centro de Formação Elisabeth e João Pedro Teixeira, em Lagoa Seca, além de doações na comunidade do Pedregal, em Campina Grande. Também foram destinados mil litros para famílias atingidas por barragens nos municípios de Aroeiras, Natuba e Itatuba.  


Mulher exibe a doação do Leite Fraterno / Reprodução

Campanha Periferia Viva

Essas iniciativas que ligam o campo e a cidade fazem parte das medidas de ação adotadas por diversos movimentos populares que se uniram durante a pandemia para atender a população mais vulnerável das cidades, em torno de uma campanha chamada Periferia Viva.

O ator Luiz Carlos Vasconcelos gravou um vídeo pedindo a todos que colaborem para a Quarentena por Direitos, campanha que faz parte da Periferia Viva.

“A campanha Periferia Viva foi pensada a partir das experiências de autoproteção e organização das periferias urbanas a respeito de como se alimentar e viver com dignidade, diante de uma pandemia mundial, onde o Estado muitas vezes não consegue alcançar. Além disso, por meio destas ações, está se ampliando a solidariedade entre os movimentos do campo e da cidade”, explica Gleyson Melo, do Movimento dos Trabalhadores por Direitos (MTD).

Fonte: BdF Paraíba

Edição: Vivian Fernandes e Heloisa de Sousa