Internacional

MP pede prisão de aliados de Guaidó por promoverem bloqueio do ouro venezuelano

Parceiros de Guaidó são acusados de "traição à pátria, usurpação de funções e associação criminosa"

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Ministério Público da Venezuela pediu nesta sexta-feira (3) a prisão e o congelamento de bens de 11 aliados do deputado de direita Juan Guaidó - Divulgação

O Ministério Público da Venezuela pediu nesta sexta-feira (3) a prisão e o congelamento de bens de 11 aliados do deputado de direita Juan Guaidó por participação na decisão da Justiça britânica que bloqueou reservas de ouro venezuelanas no Reino Unido.

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Entre os implicados, todos membros do "governo" do autoproclamado presidente Guaidó, estão Julio Borges, assessor de Relações Exteriores, Carlos Vecchio, "embaixador" nos EUA, e Vanessa Neumann, "embaixadora" no Reino Unido.

Segundo o procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, os imputados atuaram "para favorecer os interesses de potências estrangeiras" e "enriqueceram agredindo o país". "São acusados de traição à pátria, usurpação de funções e associação criminosa", disse Saab.

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Nesta quinta-feira, o Tribunal Superior Comercial britânico proibiu que o governo venezuelano tenha acesso às reservas de ouro que Caracas mantém guardadas no Banco da Inglaterra. 

O argumento utilizado pela Justiça britânica é o de que Londres não reconhece Nicolás Maduro como presidente do país, mas sim o deputado de direita Juan Guaidó, que se autoproclamou mandatário da Venezuela em janeiro de 2019.

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O procurador-geral venezuelano anunciou a ordem de prisão e congelamento de bens de outros cinco aliados de Guaidó "que pretenderam usurpar as funções da Junta Diretiva do Banco Central da Venezuela" e outras três pessoas que ocupam o "Escritório do Procurador Especial", órgão criado pelo governo fictício do autoproclamado presidente.

"A decisão [da Justiça britânica] desconhece os fatos da realidade. Ignora que nenhum dos membros da junta administrativa nomeados por Guaidó vive em nosso país: todos vivem na Colômbia ou nos EUA, os centros para toda a conspiração contra a Venezuela", disse Saab.

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Ainda nesta quinta, o Banco Central da Venezuela classificou a decisão como "absurdo" e prometeu recorrer. A Venezuela possui uma reserva de 30 toneladas de ouro no Banco da Inglaterra, que equivalem a cerca de 2 bilhões de dólares (mais de R$10 bilhões).

Desde que Guaidó foi reconhecido pelo Reino Unido como presidente, os fundos foram bloqueados ilegalmente ao governo venezuelano. Após a pandemia do novo coronavírus, Caracas fez mais um apelo para que Londres revisse o bloqueio para que o governo pudesse destinar essas reservas ao combate contra a covid-19.