Mobilização

Moradores da Lagoa Mundaú, em Maceió (AL), se tornam agentes no combate à covid

Movimento de Trabalhadores por Direitos promove o projeto Agentes Populares de Saúde em comunidades pobres pelo Brasil

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |

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A meta do projeto Agentes Populares da Saúde é formar 120 pessoas nas comunidades próximas à Lagoa Mundaú - Acervo pessoal

O Movimento de Trabalhadores e Trabalhadoras por Direitos (MTD), em Alagoas, finalizou nesse domingo (6) a formação da segunda turma de Agentes Populares de Saúde, grupo que atua em diversos estados do Brasil na prevenção do novo coronavírus. Desta vez, na capital alagoana, Maceió, os novos membros do coletivo irão atuar em seis comunidades próximas à Lagoa Mundaú, durante o período de pandemia de covid-19

O objetivo do projeto é capacitar os próprios moradores para acompanhar a situação de crise pandêmica, por meio de mapeamento de possíveis pessoas com sintomas e quando há ausência de acesso a materiais de higiene e afins nas comunidades. Mas, também, vai além, unindo os moradores a partir de princípios da educação popular

“A gente fala que a única saída [para a crise] é essa. Combater as pandemias também é um processo de trabalhar a educação popular, alcançar outros valores”, explica Samuel Drummond Scarponi, integrante do MTD.

Hoje, as seis comunidades possuem 24 moradores-agentes auxiliando seus vizinhos no enfrentamento da pandemia, mas a meta é formar 120 Agentes Populares de Saúde.

Além da formação dos agentes de saúde, o movimento distribui cestas básicas e materiais de higiene, e viabiliza as “farmácias vivas”, com plantas medicinais em espaços públicos. “A gente vai, faz mutirão, tira o lixo e organiza [a área] para colocar as plantas medicinais. Nós estamos com seis territórios com plantas medicinais, com mais de 50 tipos de plantas.E os agentes participam nesse processo, tanto de fazer as farmácias, mas também de aprender a utilização, resgatar os saberes das farmácias vivas e aplicar para dentro da comunidade”, conta Scarponi.

Nessa região da capital alagoana, há uma completa ausência de direitos essenciais, como saneamento básico e água tratada, que, segundo o membro do MTD, contrasta com as áreas ricas do município, como Ponta Verde. “Nós estamos falando de um campo refugiados no meio da cidade. São aproximadamente 30 mil pessoas num complexo de seis favelas na beira da Lagoa Mundaú, e uma ausência completa de direitos”.

Os moradores do local vivem da pesca e do consumo de um fruto do mar conhecido como “sururu”, que é retirado dessa lagoa, local que também deságua 40% do esgoto de Maceió. Já na Praia Ponta Verde, um importante ponto turístico de Maceió, o prato típico caldinho de sururu é proveniente de ecossistemas limpos. “A realidade que a gente vê nas periferias é muito diferente. A pandemia na periferia só escancarou a realidade em Maceió, as contradições que já existiam”, afirma Scarponi, que aponta que das 30 mil pessoas que vivem nesse conjunto de favelas, 80% são de analfabetos. 

O estado do Alagoas registrou mais de 80 mil casos confirmados confirmados e 1.930 óbitos pelo novo coronavírus, até esse domingo (6). Em Maceió, são 26.235 casos e 889 mortes, configurando uma taxa de letalidade de 3,4%, diante de 2,4% registrada no estado. Os dados são da Rede CoVida, uma parceria entre a Fundação Oswaldo Cruz, a Universidade Federal da Bahia e o Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde.

Edição: Vivian Fernandes