abelhas sem ferrão

Meliponário contribui com biodiversidade em Angra dos Reis (RJ)

Espaço dispõe degustação, curso, visitação e loja associada às espécies que tiveram o ferrão atrofiado ao longo do tempo

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Uma das espécies presentes na Ilha Grande é de abelhas Jataí
Uma das espécies presentes na Ilha Grande é de abelhas Jataí - Jonathan Wilkins/CC
Tenho colônias aqui com 14 anos. Então é mais que a sobrevida média dessas colmeias na natureza

Nem sempre o contato com abelhas exige o uso de macacão branco conjugado com máscara, botas e luvas. A criação de abelhas sem ferrão pode ser feita de forma ambientalmente sustentável e segura para a população. Um desses exemplos é o Meliponário Saco do Céu, localizado na Ilha Grande, em Angra dos Reis (RJ). 

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O local funciona com degustação, curso, visitação e loja associada às espécies que, ao longo do tempo, tiveram o ferrão atrofiado. André Luís é o responsável técnico e um dos donos do espaço. Ele está concluindo o curso superior de meliponicultura e apicultura na Universidade de Taubaté e defende a expansão da atividade no país. 

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“As vantagens de se trabalhar com abelha sem ferrão, desde que se respeite a questão de manejar espécies do seu ecossistema, é a grande capacidade de adaptação delas. São abelhas que já ocorrem aqui [Ilha Grande] naturalmente. Então desde que você não faça nenhuma intervenção muito errada, você consegue manter essas colônias durante muitos anos. Eu tenho colônias aqui com 14 anos. Então é mais que a sobrevida média dessas colmeias na natureza”, explica.

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As tecnologias utilizadas no espaço seguem as legislações ambientais / Foto: Arquivo Meliponário Saco do Céu

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Pelo planeta, são 52 gêneros e cerca de 300 espécies de abelhas identificadas. As visitações ao Meliponário Saco do Céu garantem o conhecimento de oito espécies nativas sem ferrão originárias da Ilha Grande. O espaço conta com espécies da flora que produzem pólen, néctar ou resina para ajudar as abelhas da região. Além disso, de acordo com André Luís, é feita a captura com iscas previstas na legislação ambiental.

Cada detalhe é importante para a preservação da natureza. O manejo de abelhas sem ferrão é feito há bastante tempo por populações tradicionais. Ao mesmo tempo, a prática de novas culturas precisa seguir padrões que recentemente foram criados, a exemplo do tamanho da caixa para manejar as espécies. 

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Além do olhar para a biodiversidade, a produção de alimentos também é minuciosa. Menandro Rodrigues, por exemplo, mora no Rio de Janeiro e atua no setor de gastronomia. Ele conheceu o Meliponário Saco do Céu e ganhou mais experiência no trabalho.    

“Eu acho incrível essa diversidade de abelhas brasileiras nativas. Para mim que sou apaixonado pela gastronomia - e a gastronomia japonesa em particular, que é extremamente técnica e delicada - descobrir produtos como esses, com particularidades, com sabores, texturas, acidez, coisas tão particulares e aplicar na minha culinária é incrível”, ressalta.  

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De acordo com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), a quantidade de açúcar no mel das abelhas sem ferrão é menor que as espécies com ferrão. A meliponicultura pode ajudar também na geração de renda e fortalecimento do equilíbrio ambiental nos biomas brasileiros. 


Espaço recebe visitações regulares / Foto: Arquivo Meliponário Saco do Céu

Apesar de tantas vantagens, a criação de abelhas sem ferrão sofre ameaças. A principal delas é a supressão do habitat natural das espécies, a exemplo dos desmatamentos, queimadas e poluição. A utilização de venenos na produção agrícola também é uma ameaça à diversidade de abelhas no país. 

“A gente vê isso Brasil afora, recebemos em todos os grupos de WhatsApp relatos de pessoas que estão perdendo colônias às dezenas porque com cultivo de soja e de milho ou de qualquer outra cultura dessa espécie, que é cultivada de forma macro, encostou no raio de ação das suas abelhas, então morre tudo”, salienta.

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De acordo com a Embrapa, as abelhas sem ferrão são responsáveis pela polinização de 30% das espécies da Caatinga e do Pantanal, além de 90% na Mata Atlântica. 

Edição: Douglas Matos