Segundo turno

Fortaleza: apoiador de motim policial, Capitão Wagner esconde Bolsonaro na campanha

Em sua segunda tentativa de conquistar prefeitura, candidato do Pros ampliou programa para além da segurança

Brasil de Fato | Fortaleza (CE) |
É a segunda candidatura de Wagner para prefeito de Fortaleza - Reprodução

Wagner Sousa Gomes (Pros), é natural da cidade de São Paulo e está em seu primeiro mandato como deputado federal. Mais conhecido como Capitão Wagner, sua primeira participação eleitoral foi em 2010, quando se candidatou a deputado estadual pelo Partido da República, não se elegendo, mas ficando na primeira suplência. Faz parte dos quadros da reserva da Polícia Militar do Ceará desde setembro de 2011, quando assumiu a vaga deixada por Fernanda Pessoa (PSDB).

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O Brasil de Fato realiza uma série de matérias com os perfis dos candidatos à Prefeitura de Fortaleza que irão disputar o segundo turno. A ordem foi definida pela posição do candidato no primeiro turno. Na quarta (18), o BdF publicou o perfil de José Sarto, candidato do PDT que disputa com Capitão Wagner a prefeitura da capital cearense.

Trajetória Política

Apesar de ter se candidato a deputado estadual em 2010, quando recebeu 28.818 votos representando os agentes de segurança pública do Ceará, sua primeira grande aparição na vida pública se deu através da sua liderança no movimento de paralisação da Polícia Militar no Ceará, que ocorreu entre dezembro de 2011 e janeiro de 2012. Nas eleições municipais daquele ano, o Capitão Wagner já apresentava sua vontade de concorrer à prefeitura de Fortaleza, contudo disputou a vaga de vereador, tendo uma votação recorde. Em 2013 o candidato convocou a população para apoiar uma nova manifestação dos Policiais Militares, em Fortaleza. Posteriormente foi denunciado na Assembleia Legislativa, o que lhe custou um processo criminal.

Dois anos após a vitória nas eleições municipais, Capitão Wagner se candidata novamente para o cargo de deputado estadual, dessa vez conseguindo se eleger com uma votação expressiva com forte apoio de militares. Nas eleições de 2016 ele se candidata pela primeira vez para a prefeitura de Fortaleza, com um programa muito ligado ao debate da violência, apresentava como uma das suas principais propostas armar a Guarda Civil Municipal, além da criação de uma força policial municipal. Conseguindo ir ao segundo turno, Capitão Wagner foi derrotado pelo atual prefeito Roberto Cláudio, quando este disputava a reeleição.

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Nas eleições de 2018 Capitão Wagner se elegeu como deputado federal, dessa vez já concorrendo pelo Pros e com grande apoio do então candidato a presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Nas eleições deste ano, apesar do presidente ter declarado apoio ainda no primeiro turno, Capitão Wagner tentou se afastar da vinculação direta com o presidente. A explicação é que a aproximação do candidato ao Paço Municipal com o presidente poderia atrapalhar seu desempenho eleitoral, devido à baixa popularidade do presidente na Capital. No motim deste ano, apesar de declarar não ter tido envolvimento, apresentou projeto de lei na Câmara Federal em que concedia anistia aos Policiais e Bombeiros Militares que participaram do movimento grevista.

Apoios no segundo turno

O Capitão Wagner ainda não recebeu nenhum apoio dos candidatos derrotados no primeiro turno, enquanto a campanha do Sarto (PDT) já recebeu apoio do PT, PV, PCdoB, PSOL, Patriota e Solidariedade que tiveram candidaturas no primeiro turno, o PSL ainda não informou sua posição. A campanha de Wagner declarou que a prioridade é o eleitor, e não os partidos. No segundo turno os dois candidatos terão o mesmo tempo de propagando política no rádio e na TV.

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Programa de Governo

A coligação “Uma Fortaleza de Todos”, apresentou no documento de plano de governo disponibilizado pela plataforma do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), um programa dividido em quatro eixos, sendo eles, pacto pela Saúde, educação e desenvolvimento humano, o pacto pelo desenvolvimento econômico, inovação e emprego, o pacto pelo Meio Ambiente, mobilidade e infraestrutura da cidade e o pacto por uma governança eficiente, transparente e participativa. Neste ano a chapa encabeçada pelo Capitão Wagner não centrou suas propostas na área da segurança pública.
 

Fonte: BdF Ceará

Edição: Rogério Jordão e Monyse Ravena